Brasil tem 2ª maior reserva de terras raras, mas exploração é lenta e enfrenta entraves
Brasil tem 2ª maior reserva de terras raras, mas exploração é lenta e enfrenta entraves

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, com cerca de 21 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Apesar dessa vantagem geológica, o país ainda engatinha na exploração e boa parte do minério é exportada em estado bruto, sem processamento ou agregação de valor.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de ímãs de turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, telas de smartphones e lasers. A China domina o refino desses minerais, enquanto os EUA pressionam por acesso a fontes alternativas, mirando o subsolo brasileiro.

O encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, reafirmou em reunião com empresários o interesse do governo Trump nos minerais críticos e estratégicos brasileiros, como terras raras, lítio, nióbio e cobre. O recado foi interpretado como mais uma peça na tensão geopolítica, acirrada após o anúncio de tarifaço de 50% contra produtos brasileiros, que entra em vigor em 1º de agosto.

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O professor Fernando Landgraf, da Escola Politécnica da USP, afirma que a China tomou uma decisão estratégica há décadas de dominar toda a cadeia produtiva das terras raras, algo que falta ao Brasil. O país perde valor ao longo da cadeia e se mantém como fornecedor periférico, mesmo diante da crescente demanda global.

O Ministério de Minas e Energia vê uma janela de oportunidade para desenvolver uma indústria de processamento de terras raras, aproveitando energia limpa e competitiva. O governo federal e entidades do setor articulam iniciativas como o Projeto MagBras, do SENAI, para produção de ímãs permanentes, e um fundo de R$ 1 bilhão para pesquisa mineral. Também foram lançadas debêntures incentivadas e uma chamada pública de R$ 5 bilhões do BNDES, FINEP e MME para industrialização mineral.

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