O governo federal ampliou nas últimas semanas um pacote de medidas econômicas com potencial para elevar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição em outubro. As medidas incluem diminuição de impostos, renegociação de dívidas e concessão de crédito subsidiado. Segundo economistas, o pacote pode pressionar a situação fiscal e diminuir o ritmo de corte de juros pelo Banco Central, em meio a uma conjuntura econômica internacional delicada devido à guerra no Irã.
Na semana passada, o governo anunciou o Novo Desenrola, voltado para renegociação de dívidas de pessoas físicas e microempresas, além de débitos estudantis e rurais. Também foram implantadas, por meio de medidas provisórias, o fim da taxação das blusinhas e mais uma rodada de subvenção a combustíveis. O impacto fiscal dessas medidas é de até R$ 7 bilhões, R$ 1,94 bilhão e até R$ 10 bilhões, respectivamente.
Há ainda outras medidas em estudo, como crédito de R$ 30 bilhões para aquisição de carros por motoristas de aplicativo e taxistas, e formas de aliviar o orçamento de famílias endividadas sem pagamentos em atraso. O governo busca fonte de receita para prorrogar a redução a zero do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, que se encerra no dia 31.
O economista Bruno Lavieri, da 4intelligence, afirmou que já se esperava que o governo fizesse bondades em ano eleitoral e ignorasse metas fiscais. Ele avaliou que, no curto prazo, não haverá problemas, mas a falta de sinalização de um ajuste mais duro após as eleições pode ser prejudicial. Já Alexandre Manoel, da Global Intelligence and Analytics, destacou que a dívida segue em trajetória explosiva e os juros reais longos estão 200 pontos-base acima do que se cobrava em 2022.
Manoel apontou que está em andamento um novo regime fiscal baseado em crédito, como a ampliação do Minha Casa Minha Vida e empréstimos para aquisição de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Essas operações saíram de 0,7% do PIB em 2022 para cerca de 1,2% do PIB este ano. Embora não impactem o primário diretamente, afetam a dívida indiretamente e elevam os juros reais na curva longa.
As renegociações de dívidas e estímulos setoriais colocam a economia para girar e os indicadores têm surpreendido positivamente, mas dificultam a redução sustentável da taxa de juros pelo Banco Central. O período de anúncios coincidiu com a piora das projeções do mercado para a inflação dos próximos meses.



