As bolsas de Nova York operam em queda nesta terça-feira (7), mesmo após a Samsung divulgar lucro recorde no segundo trimestre. O movimento reflete a cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política monetária nos Estados Unidos e o impacto das tarifas comerciais.
Lucro recorde da Samsung não anima mercados
A Samsung Electronics reportou lucro operacional de 14,1 trilhões de won (cerca de US$ 10,6 bilhões) no segundo trimestre, um recorde histórico impulsionado pela demanda por chips de memória usados em inteligência artificial. Apesar do resultado positivo, as ações da empresa caíram 1,2% em Seul, e o índice Kospi fechou em baixa de 0,9%.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuava 0,4%, o S&P 500 caía 0,5% e o Nasdaq perdia 0,7% por volta das 11h (horário de Brasília). O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano subia para 4,28%, pressionando as ações de crescimento.
Juros altos e guerra comercial pesam
O mercado digere declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que indicou que o banco central não tem pressa para cortar juros. Além disso, a ameaça de novas tarifas dos EUA sobre produtos chineses e europeus aumenta a aversão ao risco.
Segundo Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra, “o risco de forte correção segue elevado com alta alavancagem e IA”. Ele destacou que a combinação de dívida elevada e exposição a ativos de risco amplifica a vulnerabilidade dos mercados.
Impacto nas bolsas europeias e asiáticas
Na Europa, o índice Stoxx 600 caía 0,3%, com perdas em todos os setores. O FTSE 100 de Londres recuava 0,4%, enquanto o DAX de Frankfurt perdia 0,2%. Na Ásia, o índice Nikkei do Japão fechou em baixa de 0,7%, e o Shanghai Composite caiu 0,5%.
O petróleo Brent subia 1,2%, para US$ 78,50 o barril, com tensões no Oriente Médio, mas isso não foi suficiente para sustentar as ações de energia.
Perspectivas
Analistas do Banco Mundial preveem que o crescimento da China vai desacelerar a 4,4% em 2026, o que pode reduzir ainda mais o apetite por risco. Enquanto isso, a XP reduziu a projeção do Brent e vê IPCA mais baixo, mas mantém a Selic em 14% em 2026, sinalizando juros altos por mais tempo no Brasil.



