Os bancos brasileiros iniciam o segundo trimestre sob forte pressão da inadimplência, que continua a corroer os lucros das instituições financeiras. Em meio a esse cenário, analistas do JPMorgan e do UBS BB destacam suas principais apostas para o setor, enquanto o Santander Brasil enfrenta desafios que ampliam a diferença com sua matriz espanhola.
Pressão da inadimplência sobre os bancos
A inadimplência no crédito bancário brasileiro atingiu níveis elevados, impactando especialmente os bancos com maior exposição ao varejo. Segundo dados do Banco Central, a taxa de inadimplência para pessoas físicas superou 6% no primeiro trimestre, pressionando as provisões para devedores duvidosos. Instituições como Santander Brasil e Bradesco reportaram aumento nas despesas com provisões, reduzindo a rentabilidade.
Favoritos de JPMorgan e UBS BB
O JPMorgan recomendou a compra de ações do Itaú Unibanco, citando sua sólida posição de capital e menor exposição ao crédito de risco. Já o UBS BB destacou o Banco do Brasil como favorito, devido à sua forte presença no agronegócio e menor sensibilidade à inadimplência. Ambos os bancos são vistos como mais resilientes em um ambiente de juros altos.
Santander Brasil amplia diferença com matriz
O Santander Brasil enfrenta problemas específicos, como a integração de sistemas e a reestruturação de sua carteira de crédito, que elevaram as despesas operacionais. A diferença entre o retorno sobre patrimônio (ROE) do banco brasileiro e o da matriz espanhola aumentou para 5 pontos percentuais, segundo analistas. O banco anunciou medidas de corte de custos, mas o mercado permanece cauteloso.
Impacto no mercado de ações
As ações dos bancos brasileiros tiveram desempenho misto no início do segundo trimestre. Enquanto Itaú e Banco do Brasil registraram ganhos, Santander Brasil e Bradesco caíram. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve leve alta, mas o setor bancário ainda enfrenta incertezas quanto à recuperação da inadimplência.
Perspectivas para o setor
Para os próximos meses, analistas esperam que a inadimplência atinja o pico no terceiro trimestre, antes de começar a cair gradualmente. A redução da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, poderia aliviar a pressão sobre os tomadores de crédito. No entanto, o cenário fiscal e as eleições presidenciais de 2026 adicionam volatilidade.
Em resumo, os bancos brasileiros navegam por um período desafiador, com inadimplência elevada e margens comprimidas. As recomendações de JPMorgan e UBS BB apontam para instituições mais sólidas, enquanto o Santander Brasil busca conter as perdas. O mercado acompanha de perto os próximos balanços para avaliar a recuperação do setor.



