Os maiores bancos brasileiros adotaram a prudência como principal estratégia para 2026, ano marcado por tensões geopolíticas, juros altos, famílias endividadas e menor crescimento econômico. A Federação Brasileira dos Bancos estima que a concessão de crédito crescerá 8,4% neste ano, abaixo dos 9% registrados em 2025. As instituições devem frear os empréstimos e apostar mais na receita de serviços, mirando clientes de alta renda para evitar a inadimplência.
A eleição presidencial de outubro é o fator de maior impacto no sistema financeiro, segundo especialistas. A vitória de um candidato sem compromisso com o ajuste fiscal pode pressionar os prêmios de risco e dificultar a queda da Selic. Por outro lado, um presidente comprometido com a responsabilidade fiscal abriria espaço para juros mais baixos. 'A eleição mexerá com o spread bancário e os custos dos empréstimos', afirma Eduardo Nishio, chefe de pesquisas da Genial Investimentos.
Até outubro, as instituições atuarão com parcimônia. O Itaú espera que as receitas com empréstimos cresçam de 5% a 9% neste ano, ante 12% em 2025. O executivo-chefe do banco, Milton Maluhy Filho, disse que as projeções podem ser revistas se o cenário eleitoral se mostrar menos volátil.
Além da política, as perspectivas econômicas contribuem para a cautela. O mercado aposta que a Selic cairá dos atuais 15% para cerca de 12% ao ano até dezembro, mas ainda em patamar contracionista. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirma que o juro permanecerá alto pelo tempo necessário para trazer a inflação à meta de 3%.
As instituições financeiras projetam crescimento econômico de cerca de 1% em 2026, abaixo dos 2% estimados para 2025. A economia mais fraca deve elevar o desemprego dos atuais 5,1% para 6%. O Brasil encerrou 2025 com 81,2 milhões de endividados e 50% da população inadimplente, além de 5.680 empresas em recuperação judicial, ambos recordes históricos.



