O Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira (8) um relatório sobre o panorama econômico da América Latina e Caribe, apontando que a Argentina se destaca na região, enquanto Brasil e México perdem dinamismo. O documento cita 'condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza em relação à política comercial' como fatores que afetam negativamente as duas maiores economias da região.
Para a Argentina, o Banco Mundial projeta crescimento real do PIB de 3,6% em 2025, contra 4,4% em 2024 e uma queda de 1,3% em 2023. O país se beneficia de reformas econômicas implementadas pelo presidente Javier Milei, como a reforma tributária, o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) e a reforma do mercado de trabalho. No entanto, o relatório alerta para riscos significativos devido às grandes necessidades de financiamento externo e reservas internacionais líquidas negativas.
Já para o Brasil, a estimativa de crescimento é de 2,2% em 2025, abaixo dos 2,8% de 2024 e dos 3,4% de 2023. O Banco Mundial aponta que a queda dos juros no início do ano e os preços favoráveis de commodities não são suficientes para superar tensões comerciais, incertezas políticas e espaço fiscal limitado. A demanda doméstica enfraquece, especialmente no Brasil, onde as taxas reais elevadas restringem crédito, investimento e gastos discricionários.
O relatório destaca que a inadimplência de crédito vem aumentando gradualmente, refletindo os efeitos das altas taxas de juros e condições mais fracas para tomadores vulneráveis, embora os níveis ainda sejam moderados em termos históricos. O governo brasileiro trabalha para equilibrar as contas públicas, mas o aumento de gastos, principalmente com benefícios sociais, tem pressionado a inflação e levado o Banco Central a manter juros elevados.
De forma geral, o Banco Mundial avalia que as perspectivas de crescimento da América Latina e Caribe permanecem 'limitadas', com ganhos de renda per capita praticamente estagnados. O consumo lidera a atividade, mas seu impulso é modesto devido à recuperação gradual da renda real e aos custos de crédito ainda elevados.



