A B3 (B3SA3) divulgou os dados operacionais de maio, registrando alta de 16,8% no volume financeiro médio negociado na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar do crescimento anual, a Bolsa apresentou um recuo de 14,8% em relação ao mês anterior.
Mesmo com uma perspectiva mais positiva sobre os resultados do primeiro trimestre, a B3, durante evento com a Genial Investimentos, reconheceu que o próximo período de três meses pode apresentar uma desaceleração em relação ao desempenho forte registrado em março.
Para os executivos, o desempenho do trimestre seguinte deve refletir o impacto da reversão do fluxo estrangeiro, após a forte recuperação das ações de tecnologia nos Estados Unidos.
Estratégia e novos produtos
A estratégia adotada pela companhia inclui uma agenda de novos produtos, como Prediction Markets (opções binárias), duplicatas escriturais e o desenvolvimento do mercado secundário de renda fixa. Para a Genial Investimentos, esses novos produtos devem ampliar o mercado endereçável da companhia. Os analistas acreditam que a B3 consiga criar novas avenidas de crescimento além dos volumes negociados em renda variável.
De acordo com a equipe financeira e de Relação com Investidores da B3, a tese de que a combinação entre fluxo estrangeiro, maior volatilidade dos mercados e diversificação das receitas, muito presente ao longo do primeiro trimestre, continua sustentando um ciclo favorável para a Bolsa.
Dinâmicas na Bolsa
Apesar do recuo no volume de negociações na comparação mensal, o Banco Safra afirma que os números mostram um cenário de normalização da atividade da B3, após distorções pontuais no início do ano. Conforme o banco, de maneira geral, o resultado reflete menor dinamismo em derivativos e uma leve acomodação no mercado de ações, após um mês atípico.
Os derivativos, segmento mais representativo para as receitas, apresentaram queda de 14% ao ano, para 10,3 milhões no mês. Segundo analistas do JP Morgan, a redução foi provocada principalmente pelos contratos de criptomoedas, com queda de 88%.
Para o banco, ainda que o valor de mercado tenha avançado 13% ao ano e a velocidade de giro das ações de 156% esteja acima dos 151% registrados em maio de 2025, o resultado mensal é um sinal negativo para o trimestre.
Trimestre ruim
A queda de 15 pontos percentuais no turnover e de 7% no valor de mercado em relação ao mês anterior. Para o JP Morgan, esse recuo implica um volume médio diário negociado (ADTV) projetado em R$ 34 bilhões para o próximo trimestre, cerca de 7% abaixo da estimativa do banco, de R$ 36,9 bilhões.
Segundo o Bradesco BBI, entretanto, as estimativas já incorporavam níveis mais baixos devido ao forte desempenho do primeiro trimestre, com a taxa trimestral de desempenho ligeiramente abaixo da estimativa do BBI de R$ 35,7 bilhões.
Mesmo com a queda no mês, as ações da B3 apresentaram correção no último mês e agora são negociadas a aproximadamente 11 vezes o lucro estimado para 2027. Caso a perspectiva para os juros permaneça elevada, o JP Morgan acredita que possa haver um risco de queda.
Mercado de balcão e renda fixa
Os registros permaneceram relativamente estáveis, com o mercado de balcão (OTC) e de renda fixa subindo 2% e 1%, respectivamente. Para o Goldman Sachs, os resultados são mistos. Enquanto os registros trimestrais OTC estão 21% abaixo das estimativas do banco, os registros de renda fixa estão 9% acima.
O JP Morgan manteve o tom negativo. De acordo com os analistas, o desempenho de OTC ficou pressionado por instrumentos de captação atrelados ao DI (depósito interfinanceiro), swaps e outros derivativos.
Segundo os analistas do Safra, o Tesouro Direto manteve crescimento robusto, com aumento do saldo em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o banco, o desempenho reforçou a tendência de maior participação do varejo.



