Argentina Pode Pedir Perdão ao FMI Novamente
Argentina Pode Pedir Perdão ao FMI Novamente

A Argentina se prepara para pedir desculpas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) pelo atraso no cumprimento de duas medidas previstas no acordo vigente. O projeto que altera o cálculo do imposto sobre combustíveis enfrenta resistência no Senado, enquanto a mudança nas normas sobre o balanço de entidades financeiras deve ficar pronta apenas no fim do mês. O prazo original vencia hoje.

Apesar dos atrasos, o acordo entre Argentina e FMI, que expira em agosto, não será alterado. A revisão do Fundo deve ocorrer na próxima quarta-feira. Quando o acordo foi assinado este ano, o FMI tomou uma decisão política de socorrer o país, postergando os vencimentos da dívida argentina com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Mundial (Bird) e o próprio Fundo, contra a vontade de muitos técnicos. A medida visava evitar que a Argentina entrasse em default também com esses organismos, enquanto negocia a dívida privada internacional após a moratória de dezembro de 2001.

Nesta sexta-feira, o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, está em Washington para explicar ao FMI e ao número dois do Tesouro americano, John Taylor, os detalhes da renegociação com o setor privado. Na época da assinatura do acordo, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, precisou apelar diretamente aos governos do G-7. Hoje, Lavagna afirma que a Argentina cumpriu além das metas fiscais e monetárias estabelecidas. No mercado financeiro e entre parlamentares-economistas, a avaliação é a mesma: o país cumprirá todas as metas até agosto, pois o acordo visava não prejudicar a transição política e econômica.

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Atualmente, Lavagna estima que o país cresce a um ritmo de 4% anual e que a inflação ficará abaixo de 10% este ano. O presidente do Banco Central, Alfonso Prat-Gay, projeta inflação de 8%, longe dos 22% fixados no acordo com o Fundo. Enquanto isso, os empresários da União Industrial Argentina (UIA) vivem uma disputa pela presidência, com decisão prevista para terça-feira. A Associação de Empresários da Argentina (AEA) também busca se diferenciar da UIA, em meio a um cenário de desemprego alto (cerca de 20%), investimentos em queda (52% abaixo de 1999) e consumo 20% menor que em 1999.

A desvalorização do peso não foi suficiente para atrair investimentos. Muitas empresas estão voltando para as mãos de antigos donos argentinos, como as do grupo Exxel. Exceções incluem a Ambev, que se aliou à cervejaria Quilmes, e a Petrobrás, que comprou ativos da Perez Companc. Investidores que deixam o país citam insegurança jurídica e a redução da importância da Argentina em seus negócios. O ministro Lavagna, ao ser questionado sobre a insegurança jurídica e a nacionalização de empresas, afirmou: 'Num país as leis e a realidade...'

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