XP mantém foco em IPCA+ e cautela com prefixados para 2026
XP mantém IPCA+ e cautela com prefixados para 2026

A XP Investimentos divulgou nesta segunda-feira (8) relatório com suas novas projeções e estratégias para a renda fixa no segundo semestre de 2026. A frase que resume a visão da corretora é: “O carrego continua sendo o rei, os spreads abriram e a seletividade importa.”

Novas projeções macroeconômicas

O cenário global e doméstico trouxe incertezas adicionais nos primeiros seis meses do ano, com pressão persistente sobre o petróleo e inflação resiliente no Brasil. A XP revisou sua projeção para o IPCA de 2026, de 5,3% para 5,5%. Aliada a uma política fiscal expansionista, a inflação mais alta reduz o espaço para o Banco Central cortar juros. A expectativa agora é que a Selic caia apenas mais 0,5 ponto percentual, encerrando o ano em 14% ao ano.

Recomendações para títulos públicos

IPCA+

A recomendação de alocar em papéis indexados à inflação (Tesouro IPCA+) se mantém, com foco em vencimentos curtos e intermediários. Segundo o relatório, “os títulos indexados à inflação parecem mais atraentes nos níveis atuais, refletindo a recente reprecificação dos juros reais e os riscos crescentes de inflação no exterior”.

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Por outro lado, a XP alerta para o alongamento excessivo de prazos. Embora as taxas dos papéis mais longos estejam nas máximas do ano e pareçam convidativas, o cenário macroeconômico – com incertezas fiscais piorando com a aproximação das eleições – gera forte volatilidade. Papéis muito longos deixam o investidor mais exposto a flutuações caso precise vender antes do vencimento.

Prefixados

Para os títulos prefixados, a recomendação é manter a cautela. “Travar rendimentos nominais exige forte convicção na trajetória da inflação, já que qualquer choque fiscal ou de oferta global persistente poderia desencadear novos deslocamentos para cima na curva, deixando os investidores em prefixados expostos a um desempenho abaixo do esperado”, diz o documento.

Como os fatores macroeconômicos voltaram a ditar o ritmo dos mercados, a XP orienta manter a carteira pulverizada entre indexadores, recomendando inclusive a renda fixa internacional como alocação complementar para reduzir a dependência exclusiva do risco soberano brasileiro.

Crédito privado

O primeiro semestre de 2026 foi marcado pela abertura dos spreads de crédito (prêmio pago por empresas acima dos títulos públicos) e por eventos de estresse de grandes emissores. A XP avalia que “o crédito privado entra no segundo semestre de 2026 em uma posição mais balanceada, após a correção de um período de compressão excessiva de spreads”.

“A renda fixa vive um momento de taxas nominais atrativas, porém, temos um cenário mais desafiador de risco de crédito, por isso a seletividade é tão importante”, avalia Lucas Genoso, head de renda fixa do Research da XP.

A cautela é reservada para empresas com alto endividamento e que precisam refinanciar suas dívidas no curto prazo. A corretora enfatiza que os eventos negativos vistos em grandes emissores no primeiro semestre foram específicos e não um sinal de deterioração generalizada do mercado de crédito. No entanto, o ambiente de juros altos por mais tempo inevitavelmente consome a geração de caixa operacional e pressiona os índices de cobertura de juros das companhias.

Em vez de assumir riscos excessivos em emissores duvidosos para buscar a maior taxa, a disciplina e a seleção criteriosa de ativos devem nortear as decisões de alocação, recomendam os especialistas da XP. “O foco deve estar em emissores de alta qualidade com balanços fortes e históricos de execução sólidos para navegar confortavelmente o ambiente restritivo prolongado”, conclui o relatório.

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