Após a recente alta do Tesouro IPCA+, que atingiu níveis recordes, a atenção dos investidores se volta agora para o Tesouro Selic, que pode ser o próximo título público a pagar a maior taxa da história. Com a Selic em 14,25% ao ano e expectativas de novo aperto monetário, o Tesouro Selic pode superar os 15% ao ano, patamar visto pela última vez em 2016. Segundo analistas, a combinação de inflação elevada e juros altos torna o Tesouro Selic uma opção atrativa para quem busca rendimento com baixo risco de marcação a mercado.
Contexto do mercado de renda fixa
O Tesouro IPCA+ já oferece taxas reais acima de 6% ao ano, impulsionado pela incerteza fiscal e pela política monetária restritiva. Agora, o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, pode atingir seu maior rendimento nominal desde a criação do Tesouro Direto, em 2002. "Com a Selic em 14,25% e projeções de alta, o Tesouro Selic pode render mais de 15% ao ano nos próximos meses", afirma Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter. Ela ressalta que o título é indicado para reserva de emergência e curto prazo, pois não sofre com oscilações de preço.
Impacto para os investidores
Para quem já possui Tesouro Selic, a alta da taxa significa maior rendimento futuro. No entanto, novos investidores devem ficar atentos às condições do mercado. "O Tesouro Selic é um dos ativos mais seguros do país, mas o ganho real depende da inflação. Com IPCA acima de 5%, o rendimento real ainda é positivo, mas não tão alto quanto parece", explica Vitória. A expectativa é que o Banco Central mantenha a Selic elevada por mais tempo, o que beneficia o título.
Alternativas e riscos
Além do Tesouro Selic, outros títulos de renda fixa, como CDBs e LCIs, também se beneficiam dos juros altos. No entanto, o Tesouro Selic tem a vantagem da liquidez diária e da garantia do Tesouro Nacional. "Para quem precisa de segurança e liquidez, o Tesouro Selic é imbatível. Mas para quem pode correr mais risco, o Tesouro IPCA+ oferece proteção contra a inflação e potencial de ganho maior no longo prazo", compara Vitória.
A possível taxa recorde do Tesouro Selic reacende o debate sobre a estratégia de alocação em renda fixa. Especialistas recomendam diversificar entre títulos indexados à Selic, à inflação e prefixados, de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor.



