Pós-fixados dominam renda fixa em junho com receio fiscal e Selic em 14,25%
Pós-fixados lideram renda fixa em junho com Selic alta

Os títulos pós-fixados voltaram a dominar a renda fixa brasileira em junho, em meio a um cenário de incertezas fiscais e monetárias. Dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que as debêntures atreladas ao DI renderam 1,23% no mês, liderando o ranking pelo segundo mês consecutivo. Na outra ponta, os títulos públicos indexados à inflação (IMA-B) tiveram o pior desempenho, com queda de 1,04%.

Copom corta Selic, mas mercado eleva projeções

No dia 17 de junho, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime. Apesar do corte, o comunicado foi cauteloso, e o mercado elevou suas projeções: se no início do mês a expectativa era de Selic a 13,25% no fim do ano, agora o mercado projeta 14% ao ano.

A inflação corrente deu algum alívio, mas não suficiente para mudar o cenário. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, desacelerando ante os 0,62% de maio, mas o acumulado em 12 meses avançou para 4,80%, acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central.

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Fatores externos e internos pressionam

No exterior, a perspectiva de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã reduziu as tensões no Oriente Médio e derrubou o petróleo para abaixo de US$ 80 o barril. Contudo, o alívio geopolítico foi contrabalançado pelo front doméstico: a piora da percepção fiscal levou o mercado a exigir mais prêmio nos títulos públicos, com contratos de DI para janeiro de 2029 se aproximando de 15% ao ano, enquanto o dólar subiu 2,42% no mês.

“É o segundo mês consecutivo que observamos investidores com mais aversão ao risco e buscando proteção nas carteiras de prazos mais curtos. Mesmo com a recente queda do preço do petróleo no mercado internacional, ainda existem dúvidas sobre os cenários político-econômicos nacional e internacional, que podem se intensificar com a chegada do ciclo eleitoral no próximo semestre”, explica Marcelo Cidade, economista da Anbima.

Impacto nos títulos de inflação e prefixados

A abertura da curva longa penalizou os papéis de inflação. Além do recuo de 1,04% do IMA-B, as debêntures atreladas ao IPCA fecharam junho no negativo: o IDA-IPCA caiu 0,06%, com as incentivadas (IDA-IPCA Infraestrutura) recuando 0,06% e as não incentivadas (IDA-IPCA ex-Infraestrutura), 0,19%.

Os prefixados, medidos pelo IRF-M, renderam 0,69% no mês, abaixo do CDI de 1,12% no período, evidenciando a preferência dos investidores pelos pós-fixados.

Desempenho dos principais índices

Entre os títulos públicos, o IMA-S (Tesouro Selic) rendeu 1,12% em junho e acumula 6,95% no ano, à frente do IMA-Geral, que avançou 0,51% no mês. O IDA-Geral, que reúne debêntures de todos os indexadores, subiu 0,61% no mês.

Para quem carregou prefixados, junho trouxe ganho nominal, mas abaixo do carrego pós-fixado. O IRF-M rendeu 0,69%, ante um CDI de 1,12% no período.

Tabela de rentabilidade

Confira o desempenho dos principais índices de renda fixa em junho e no ano, segundo a Anbima:

  • IMA – Geral: 0,51% (mês) / 5,83% (ano)
  • IRF-M (prefixados): 0,69% / 5,05%
  • IMA-B (inflação): -1,04% / 4,07%
  • IMA-S (pós-fixados): 1,12% / 6,95%
  • IDA – Geral: 0,61% / 4,40%
  • IDA – DI: 1,23% / 7,09%
  • IDA – IPCA Infraestrutura: -0,06% / 1,43%
  • IDA – IPCA ex-Infraestrutura: -0,19% / 5,45%
  • IDA – IPCA: -0,06% / 1,54%

Fonte: Anbima

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