As ações da Petrobras, Vale, Allos e Axia dominam as carteiras recomendadas de dividendos para julho, segundo levantamento da Coluna com quatro dos maiores bancos do país. BTG Pactual, Itaú e Santander incluíram essas empresas em suas seleções mensais, enquanto o Bradesco adotou uma composição distinta, embora também tenha a Allos entre suas indicações.
Petrobras e Vale: alta global impulsiona recomendações
Tanto a Petrobras quanto a Vale se beneficiaram de um momento de alta global relacionada aos preços de seus produtos para se firmarem como boas opções de investimentos. A Petrobras tem se aproveitado da volatilidade e alta do petróleo mundial, ligada ao conflito no Oriente Médio, além de subsídios governamentais que reduzem riscos com o diesel brasileiro. "Acreditamos que a Petrobras oferece uma exposição cambial atrativa e bom retorno ao acionista", afirmou o BTG em relatório.
A Vale também conta com a ajuda da inflação global dos custos de extração de commodities, que impacta diretamente o valor do minério de ferro, seu principal produto, e se reflete positivamente sobre os resultados. "Esperamos que o minério de ferro se beneficie de custos globais de produção mais elevados e de fortes investimentos em infraestrutura", disse o Santander.
Allos e Axia: previsibilidade e dividendos elevados
A Allos, administradora de mais de 50 shoppings no Brasil, apresenta uma carteira conservadora com receitas previsíveis e elevado dividend yield. Já a Axia, responsável por 20% da capacidade de geração de energia nacional, tornou-se competitiva após a privatização, com redução de gastos de PMSO (Pessoal, Material, Serviços de Terceiros e Outros). A alta prevista nos preços de energia a partir de 2027 e a operação 100% renovável também agregam valor.
Bradesco adota seleção diferente para julho
O Bradesco não repetiu as mesmas recomendações dos demais bancos. A única empresa em comum é a Allos. Apesar disso, Petrobras, Vale e Axia aparecem na Carteira Top 10 do banco, que reúne as principais escolhas diversificadas. Para julho, o Bradesco manteve as recomendações de junho sem alterações.
Cenário econômico e impacto na Selic
O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, afirmou que o espaço para redução de juros diminuiu. Ele estima mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, mas reconhece que o risco de interrupção do ciclo aumentou. Esse cenário influencia as escolhas dos investidores por ações com bons dividendos.



