O ouro registrou forte queda de 2,45% nesta quinta-feira, 23 de julho, cotado a US$ 1.780 a onça-troy, pressionado pela alta do petróleo, do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). O movimento reflete a aversão ao risco nos mercados globais, com investidores buscando ativos mais seguros diante de incertezas econômicas.
Fatores que pressionaram o ouro
O petróleo subiu mais de 3%, com o Brent ultrapassando US$ 75 o barril, impulsionado por cortes na oferta e tensões geopolíticas. O dólar index, que mede a moeda americana contra uma cesta de seis pares, avançou 0,5%, tornando o ouro mais caro para detentores de outras moedas. Já os rendimentos dos Treasuries de 10 anos subiram para 1,28%, reduzindo a atratividade do ouro, que não oferece rendimento.
Segundo analistas do Bank of America, a queda do ouro foi acentuada por vendas técnicas, com o metal rompendo o suporte de US$ 1.800. "O movimento foi exacerbado por ordens de stop-loss disparadas quando o ouro caiu abaixo desse nível psicológico", afirmou o estrategista Michael Widmer.
Impacto no mercado de metais preciosos
A prata também caiu, recuando 3,1% para US$ 25,20 a onça, enquanto a platina perdeu 1,8%, para US$ 1.050. O paládio, por outro lado, subiu 0,5%, para US$ 2.650, impulsionado por preocupações com a oferta da Rússia.
O ouro acumula queda de 6% no mês, interrompendo uma sequência de três meses de ganhos. Apesar disso, alguns analistas veem a correção como oportunidade de compra. "Acreditamos que o ouro ainda tem suporte de políticas monetárias expansionistas e inflação elevada", disse o analista do Commerzbank, Eugen Weinberg.
Perspectivas para o ouro
O mercado agora aguarda a reunião do Federal Reserve na próxima semana, que pode sinalizar o ritmo de redução de estímulos. Caso o banco central americano mantenha tom dovish, o ouro pode se recuperar. No entanto, se houver indicação de aperto monetário mais cedo, as pressões podem continuar.



