O Itaú BBA divulgou um relatório com visão moderadamente construtiva para o mercado de ações brasileiro no segundo semestre de 2026. A projeção é de que o Ibovespa atinja 185 mil pontos ao final do ano, o que representa uma alta modesta de aproximadamente 7% em relação ao fechamento da véspera. O retorno total anualizado (TRR) estimado é de cerca de 22%, sem reprecificação de múltiplos, sustentado por aproximadamente 8,3% de carry (dividendos e recompras) e cerca de 13,4% de crescimento de lucros.
Carteira Brazil Buy List: preferência por large caps e qualidade
Os estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, responsáveis pelo relatório, afirmam que a preferência na carteira Brazil Buy List continua por grandes empresas (large caps) com qualidade e boa geração de rendimento aos acionistas. O banco aumentou a exposição a empresas com receitas em moeda forte, enquanto os setores elétrico e financeiro permanecem como nomes principais do portfólio.
A carteira está organizada em quatro teses: i) infraestrutura e bond proxies (ações com comportamento semelhante a títulos de renda fixa); ii) cíclicas de qualidade; iii) líderes em oportunidades de reinvestimento; e iv) exportadoras e commodities.
Infraestrutura e bond proxies: tema de maior convicção
O tema de maior convicção do banco é infraestrutura e bond proxies, que reúne as principais recomendações de compra. As empresas selecionadas apresentam taxas internas de retorno (IRRs) reais de dois dígitos, receitas corrigidas pela inflação e geração de caixa previsível para navegar os próximos seis a 12 meses. Os nomes escolhidos permanecem Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3) e Multiplan (MULT3).
Cíclicas de qualidade: exposição ao ciclo doméstico
Entre as cíclicas de qualidade, que representam a principal exposição ao ciclo doméstico, os estrategistas mantêm empresas que combinam qualidade, assimetrias em valuation, retorno e fundamentos. Os destaques são BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e Direcional (DIRR3), que entra no lugar de Cyrela (CYRE3).
Líderes em oportunidades de reinvestimento
Na frente de líderes em oportunidades de reinvestimento, o BBA mantém exposição a companhias beneficiadas por tendências estruturais de longo prazo e pela eventual queda dos juros. Rede D’Or (RDOR3) permanece como a escolha, enquanto GPS (GGPS3) deixou a carteira.
Exportadoras e commodities: aumento seletivo
Os estrategistas também aumentaram de forma seletiva a exposição a empresas exportadoras e de commodities, com histórias ligadas ao câmbio, valuations descontados e geração de caixa resiliente. Entram na carteira Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBJ3), no lugar de PRIO (PRIO3) e Suzano (SUZB3).
Brasil como diversificação em emergentes
Segundo o relatório, o Brasil se torna um importante vetor de diversificação em um universo de emergentes cada vez mais concentrado em inteligência artificial, com exposição praticamente nula a tecnologia. O EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em NY, tem 0% de participação do setor de tecnologia, enquanto o EEM, ETF de países emergentes, possui 40,8% nesse segmento.
Precificação do Brasil: divergência entre classes de ativos
O BBA observa uma forte divergência entre classes de ativos. A renda fixa reflete o cenário mais pessimista, com mais de 80% bear (negativo), enquanto o câmbio é o mais otimista e a Bolsa fica no meio-termo, ainda inclinada ao negativo. Dentro da bolsa, os setores domésticos são os mais pessimistas (26,6%), bem abaixo de exportadoras (41,5%) e financeiras (42,3%).
Sazonalidade em ciclos macro
Nos últimos 25 anos, o retorno variou muito entre ciclos macro, mas dois padrões se repetem: nos três meses anteriores ao evento, financeiras e utilities superaram o índice nos dois ciclos mais recentes (2018 e 2022), e a volatilidade historicamente se mostrou mais elevada.
Empresas de qualidade continuam atrativas
O BBA destaca que os fundamentos das empresas de qualidade melhoraram, com o retorno sobre o patrimônio (ROE) médio em alta para 26%, enquanto o valuation (preço/lucro) caiu de 21,1 vezes em 2020 para 12,3 vezes. Como a redução do valuation acompanhou o mercado como um todo, o desconto reflete o ambiente de juros e o cenário macroeconômico, e não uma deterioração das empresas de qualidade, o que abre um ponto de entrada assimétrico para investimento nessas ações.



