Venture capital nos EUA: gestores emergentes são o 'filé mignon', diz Laura Constantini
Gestores emergentes são o 'filé mignon' do VC nos EUA, diz Constantini

No momento em que a inteligência artificial (IA) redesenha o mapa da tecnologia global, a oportunidade mais atraente para os investimentos de venture capital (capital de risco) nos Estados Unidos não está nos nomes consagrados, e sim onde o capital institucional ainda chega com dificuldade. É essa a leitura da executiva da área de investimentos Laura Constantini, que atuou por 16 anos na Astella, uma das principais gestoras de venture capital do Brasil.

Gestores emergentes são o 'filé mignon'

“O filé mignon do venture capital nos Estados Unidos está com os gestores emergentes”, afirma Constantini. A executiva usa o termo não para descrever iniciantes, mas para um perfil específico: profissionais com trajetória sólida em grandes casas ou em corporações de tecnologia que decidem montar suas próprias gestoras, com teses próprias e fundos menores. São esses gestores, segundo ela, que concentram os retornos mais expressivos do setor no mercado americano.

É para capturar esse espaço que Constantini está estruturando no Brasil o Platypus I, seu primeiro fundo independente, voltado a investir em gestoras americanas focadas nos estágios iniciais (early stage) de startups. Entre as gestoras já mapeadas está a Mighty Capital, fundada por duas executivas com passagem pelo Facebook, com acesso a iniciativas de outros egressos de empresas de tecnologia, que apostam em soluções tecnológicas para grandes corporações.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Distorção no mercado brasileiro

A lógica do fundo de Laura parte de uma distorção que a gestora identificou ao examinar as carteiras de family offices e gestoras de patrimônio brasileiras. Investidores locais alocam em venture capital no Brasil pela proximidade com o ambiente, e nos Estados Unidos tendem a entrar em fundos de nomes conhecidos. As rodadas de investimento em startups iniciantes ficam fora da cobertura.

“As grandes plataformas têm tíquetes elevados para investir, e preferem os nomes com marca”, diz. “Mas quem investe nos estágios iniciais, nos Estados Unidos, são gestores menores. O acesso a eles exige network e conhecimento do ecossistema.”

Pesquisas da Kauffman Foundation mostram que os chamados gestores emergentes recebem entre 15% e 20% do capital alocado em venture capital nos EUA, mas respondem por 40% a 70% dos retornos. No Platypus, Laura mira gestoras com patrimônio sob gestão entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões e que estão em seu segundo ou terceiro fundo.

Revolução da inteligência artificial

O pano de fundo mais amplo do setor de tecnologia reforça a estratégia, avalia a investidora. Para ela, a revolução da inteligência artificial representa uma mudança estrutural na forma como a informação é processada — o que aconteceu pela última vez na criação dos computadores pessoais (PCs). Ela enxerga a possibilidade do surgimento, a partir do ChatGPT e do Claude, de startups que vão modificar setores e indústrias.

“Assim como a computação em nuvem gerou uma leva enorme de empresas de software como serviço, a gente vai ver em cima do AI uma onda incrível de empresas nativas da IA”, afirma.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 30/06/2026, às 08:30. A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar