Mercado de ETFs no Brasil completa 22 anos e supera 190 fundos listados
ETFs no Brasil: 22 anos e mais de 190 fundos listados

O mercado de ETFs no Brasil completou 22 anos em julho de 2024, desde o lançamento do primeiro fundo do tipo, o PIBB11, em 15 de julho de 2004. Atualmente, são mais de 190 ETFs listados na B3, com patrimônio líquido de R$ 116,6 bilhões. Apesar do crescimento, os ETFs ainda representam apenas 1,05% da indústria total de fundos no Brasil, que soma R$ 11,08 trilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Primeiro ETF brasileiro: PIBB11 e seu papel educativo

O PIBB11 foi desenvolvido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com bancos privados, a Bolsa de Valores brasileira e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com gestão da Itaú Asset, o fundo acompanha o índice IBrX-50, que reúne as 50 ações brasileiras mais negociadas. “Foi um produto revolucionário para o momento”, afirma Leonardo Vasques, gerente de portfólio da XP Asset, que acompanhou o lançamento.

A iniciativa visava estimular o mercado de capitais e reverter o esvaziamento da Bolsa. Para incentivar investidores pessoa física, havia garantia de recompra após um ano para aplicações de até R$ 25 mil. A escolha pelo IBrX-50 se deu por ser tecnicamente superior ao Ibovespa, segundo Marcelo Marcolino, superintendente da Área de Mercado de Capitais, Investimentos e Participações (AMC) do BNDES.

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Marcos históricos e evolução dos ETFs no Brasil

Além do PIBB11, outros marcos incluem o BOVA11 (2008), ETF mais negociado do País; o FIXA11 (2018), primeiro de renda fixa; o XFIX11 (2020), primeiro de fundos imobiliários; o HASH11 (2021), primeiro de criptomoedas; e o NDIV11 (2023), primeiro de ações com dividendos. Atualmente, existem 196 fundos de índice no Brasil, com 21 lançados apenas em 2024 até maio, segundo a B3.

Infância da indústria e potencial de crescimento

Bruno Stein, responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital, compara a indústria a uma criança de quatro anos: “Estamos muito no começo do ciclo, porque ainda existem trilhões de reais que estão em produtos de natureza tributária pior”. Ele projeta que, até 2029, o mercado alcance R$ 1 trilhão em patrimônio e pelo menos 500 fundos listados. Nos EUA, os ETFs somam US$ 13,4 trilhões e representam 30% dos ativos administrados, segundo o Investment Company Institute (ICI).

Renato Eid, diretor de estratégias indexadas da Itaú Asset, aposta no simples: “Temos ETF de bitcoin, de tecnologia, de ouro, que vão ser satélites do portfólio do investidor, mas o maior propósito é sanar as grandes dores”. Gestores acreditam que ETFs de renda fixa serão estrelas: no primeiro semestre de 2024, R$ 27,1 bilhões dos R$ 32,5 bilhões em captação líquida foram para essa categoria.

ETFs ativos e regulação no Brasil

Os ETFs ativos, já liberados nos EUA, ainda são incertos no Brasil. Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, defende uma regulação bem feita: “A norma não pode comprometer a eficiência do propósito para o qual o ETF foi criado”. A B3 já sinalizou apoio a lançamentos do tipo, mas a CVM ainda não tem regulação específica.

Com mais produtos, a seletividade aumenta. Andrés Kikuchi, CEO e CIO da Nu Asset, afirma: “A estratégia não deve fazer sentido apenas para o gestor, mas sim para o mercado”. Tiago Lima, head de distribuição da BTG Asset, complementa: “As casas acabaram lançando ETFs muito semelhantes entre si. Mas, quando o investidor identifica uma tese vencedora, ele vai atrás dela”.

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