Desde o lançamento do primeiro ETF brasileiro, o PIBB11, em 2004, a indústria de Exchange Traded Funds (ETFs) cresceu no País, oferecendo ao investidor diversificação e custos mais baixos. Atualmente, são mais de 190 fundos listados na B3, com 860 mil investidores e patrimônio líquido de R$ 116,6 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Apesar do avanço, o setor ainda está distante da escala observada em mercados financeiros mais maduros, como os Estados Unidos, onde os ETFs acumulavam US$ 13,4 trilhões em patrimônio líquido no fim de 2025, representando 30% dos ativos administrados por empresas de investimento, de acordo com o relatório anual da Investment Company Institute (ICI).
Desafios e perspectivas para o futuro dos ETFs no Brasil
No aniversário de 22 anos dos ETFs no Brasil, o E-Investidor consultou gestores de grandes instituições para avaliar o futuro da indústria e os desafios a serem superados. Renato Eid, diretor de estratégias indexadas da Itaú Asset, destacou que a gestão passiva exige eficiência em rebalanceamentos e recompras de títulos. "Muitos pensam que a gestão passiva é sempre igual e que basta apertar um botão, mas não", afirmou. Sobre o crescimento, Eid acredita que o Brasil pode se aproximar do estágio dos EUA, mas falta uma experiência digital fluida para navegar pelos ETFs.
Eduardo Miquelotti, head de fundos indexados e ETFs da BTG Pactual Asset Management, enfatizou a importância de sanar a dor do investidor e operar em alto volume para reduzir custos. "O Brasil já começou para trás, mas tem conseguido avançar nos últimos anos", disse. Ele apontou o mito de que liquidez e volume negociado são a mesma coisa como um desafio a ser combatido.
Visões de gestores sobre renda fixa e tributação
Cauê Mançanares, CEO da Investo, vê o lançamento de produtos como cópias de seus fundos e defende que o mais importante é a qualidade entregue. Ele projeta que o mercado local de ETF atingirá R$ 1 trilhão sob gestão até 2030, mas ressalta que o brasileiro não tem cultura de investimento na Bolsa. Leonardo Vasques, gerente de portfólio da XP Asset, afirma que ainda há espaço para produtos mais eficientes ou mais baratos, mas acredita que a penetração dos ETFs no Brasil não chegará à mesma dimensão dos EUA devido à predominância da renda fixa na carteira do investidor brasileiro.
Andrés Kikuchi, CEO e CIO da Nu Asset, espera que o patrimônio de R$ 1 trilhão seja atingido em dois a três anos, impulsionado pela conversão de investidores em ETFs de renda fixa. Ele defende a simplificação tributária para atrair mais investidores. Bruno Stein, responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital, vê demanda em ETFs de títulos públicos e de crédito, mas ressalta que a eficiência do mercado deve resolver a experiência do investidor nas plataformas.
Regulação e especialização em nichos
Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, prefere ficar de fora da disputa por ETFs de renda fixa e se especializar em outros nichos. Ele aponta que a regulação precisa evoluir de forma mais específica para ETFs. "Há uma regulação de fundos listados, mas ela não dá uma diretriz clara para o gestor sobre o que pode ou não ser feito", afirmou. Os gestores concordam que, apesar dos desafios, o mercado de ETFs no Brasil tem potencial para crescer significativamente nos próximos anos, impulsionado pela demanda por diversificação e custos mais baixos.



