Os ETFs de renda fixa estão entre as classes de investimento que mais crescem no mercado brasileiro, com cerca de R$ 59 bilhões alocados atualmente, ante um terço disso há menos de um ano. O crescimento foi acentuado e muito rápido, segundo o gestor Leonardo Vasques, da XP Asset Management, em entrevista ao programa Carteiros do Condado.
Vantagem fiscal: come-cotas inexistente
O principal diferencial dos ETFs é a ausência do come-cotas, imposto semestral que incide sobre fundos comuns. O come-cotas é perverso porque é um imposto invisível; o cliente não vê na rentabilidade do fundo, afirma Vasques. Duas vezes ao ano, a Receita reduz a quantidade de cotas do investidor para recolher 15% sobre o ganho. Nos ETFs, isso não ocorre, e a diferença se acumula ano após ano.
Em um país com juros de 14% a 15% ao ano, deixar de pagar esse imposto a cada semestre faz o investidor entrar no ano seguinte com cerca de 2% de patrimônio a mais. Vou fazendo juros sobre juros, que vão criando a diferença, explica o gestor.
Simplicidade operacional e alíquota fixa
Além da isenção do come-cotas, os ETFs de renda fixa não exigem a guia de imposto (DARF) a cada venda, pois o recolhimento é automático pela corretora. A alíquota também é fixa: o investidor sabe desde o primeiro dia se pagará 15% ou 25%, sem prazo mínimo.
O crescimento recente tem explicação simples: a classe é nova. O primeiro ETF brasileiro é de 2004, mas o de renda fixa só chegou em 2018. A gente demorou um tempão para ir para a classe que realmente atrai o investidor no Brasil, diz Vasques.
O que é um ETF e como funciona
Um ETF é um fundo negociado em bolsa, na B3, que pode ser comprado e vendido a qualquer momento do dia. Ao contrário de ações ou fundos imobiliários, o ETF é aberto: a quantidade de cotas sobe e desce todos os dias, por isso negocia sempre perto do valor real da carteira, sem descontos.
Isso derruba o medo mais comum, o da liquidez. Você não tem que olhar quanto o ETF negocia, tem que olhar o que tem dentro do ETF, afirma o gestor. Com ativos líquidos por trás, é possível negociar valores grandes sem mexer no preço.
Comparação com os Estados Unidos
O contraste com o exterior é grande. Nos Estados Unidos, o mercado de ETFs soma cerca de US$ 15,5 trilhões e cresce a dois dígitos há uma década. Só neste ano, já captou mais de US$ 1 trilhão, rumo a um novo recorde. Um único fundo, o VOO, que replica o índice S&P 500, passou de US$ 1 trilhão. Somados, os três maiores ETFs de S&P 500 valem mais que toda a indústria brasileira de fundos, de cerca de R$ 10 trilhões.
Lá fora, os fundos tradicionais perdem espaço rápido para os ETFs, também por vantagem de imposto. Existe ainda o ETF ativo, em que o gestor escolhe os ativos, modalidade ainda não permitida no Brasil, onde todos seguem um índice.
Potencial de crescimento no Brasil
No Brasil, os ETFs representam apenas 1% da indústria de fundos, indicando enorme potencial. Vasques cita um exemplo: Um fundo que rende 107% do CDI perde, em dez anos, para um ETF que rende apenas 100%. Chega mais dinheiro para o cliente.
Para os apresentadores, o ETF é também um atalho. É um excelente instrumento para criar acessibilidade a temas que não são fáceis de acessar, diz Collazo, citando a corrida por empresas de memória da Coreia do Sul, no rastro da inteligência artificial.
A força dos números aparece no dia a dia. Vasques cita fundos com R$ 50 milhões a R$ 60 milhões de patrimônio que já receberam ordens de R$ 100 milhões, maiores que o próprio fundo, sem sustos. Isso ajuda a dar segurança para quem vai operar, conclui.



