Cautela na Bolsa Brasileira: Estratégia Barbell é Recomendada
Cautela na Bolsa: Estratégia Barbell Recomendada pela Ágora

A pesquisa trimestral da Ágora Investimentos com investidores institucionais revela que, embora o ânimo tenha diminuído, não é hora de abandonar a Bolsa brasileira. Os estrategistas comparam o momento a uma estrada: depois de acelerar, o motorista reduziu a velocidade e apertou o cinto, mas ninguém parou ou desistiu do destino.

Confiança Mantida, Mas com Cautela

O clima entre os investidores é de cautela, sem pânico. A maioria dos gestores segue comprada em Brasil, com pouco dinheiro em caixa, sinal de confiança. Acreditam que mercados emergentes vão superar os desenvolvidos. Contudo, as apostas diminuíram, o apetite por risco caiu e o entusiasmo com o real esfriou. Um fenômeno raro ocorreu: estrangeiros e brasileiros passaram a pensar de forma semelhante sobre o país, algo que não se via há tempos.

No início do ano, estrangeiros estavam otimistas e locais, pessimistas. Os "gringos" começaram a sair da Bolsa em abril, mas reduziram o fluxo de saída no fim do primeiro semestre. Já os institucionais foram compradores líquidos de ações brasileiras em junho. Para a Ágora, é como se os dois grupos finalmente concordassem com o GPS, cada um com seu estilo: estrangeiros preferem crescimento; locais, empresas baratas e maduras.

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Setores Defensivos em Alta

Os investidores estão se abrigando em setores defensivos: bancos, elétricas e telecomunicações concentram mais de dois terços das preferências. Com juros altos e ruído fiscal, esses setores oferecem receitas previsíveis e bons dividendos. Consumo e cíclicos domésticos (varejo, construção, viagens) foram deixados de lado, o que pode representar uma oportunidade contrária.

Segundo a pesquisa, a eleição é o maior catalisador para dois em cada três investidores, e três em cada quatro apontam o risco fiscal como principal preocupação. O ciclo de juros, antes dominante, virou coadjuvante. Os economistas da Ágora projetam a Selic em 13,75% no fim do ano, enquanto o mercado precifica apenas um corte adicional, levando-a a 14%. "Essa desconexão é uma das razões pelas quais achamos que há prêmio na mesa: quando o mercado exagera no pessimismo, uma surpresa positiva costuma valer muito", avaliam os estrategistas.

Ações Preferidas e Esquecidas

Itaú (ITUB4) é unânime entre brasileiros e estrangeiros como ação preferida. Vale (VALE3) é a menos querida. Investidores brasileiros abandonaram a Petrobras (PETR4): a preferência caiu de 23% para 4% em um trimestre. Já estrangeiros "redescobriram" o Nubank (BDR: ROXO34), com preferência saltando de 5% para 19%. Nomes como Sabesp (SBSP3), BTG Pactual (BPAC11), C&A (CEAB3), Smartfit (SMFT3) e Pague Menos (PGMN3) apareceram como "descobertas" fora do óbvio.

Estratégia Barbell para o Momento

Os estrategistas resumem: "O Brasil está barato, mal humorado e prestes a receber notícias melhores do que o mercado espera. Nossa bolsa negocia a um dos menores múltiplos do mundo (cerca de 8 vezes os lucros esperados), a curva de juros parece exagerada no pessimismo, e os lucros das empresas mostram resiliência." O recado é: não é hora de euforia nem de desistir. A recomendação é uma estratégia "barbell" — combinar papéis ofensivos (BTG, XP, Nubank, Rede D'Or) com defensivos pagadores de dividendos (Itaú, Equatorial) para atravessar a volatilidade da eleição.

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