Ações de farmácias caem com notícia do México, mas JPMorgan vê oportunidade
Ações de farmácias caem, mas JPMorgan vê oportunidade

As ações das redes de farmácias RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3) registram queda nesta terça-feira (30) após investidores repercutirem uma notícia envolvendo o Mercado Livre no México. Na avaliação do JPMorgan, porém, a reação do mercado foi excessiva e abre uma oportunidade de compra, especialmente em RD Saúde.

Às 13h35 (horário de Brasília) desta terça-feira (30), RADL3 caía 3,09% (R$ 16,63) e PGMN3 tinha queda de 1,90% (R$ 3,62). O movimento ocorre em meio à preocupação de investidores com uma reportagem da imprensa mexicana informando que a Novo Nordisk abriu uma loja oficial dentro do Mercado Livre México para comercializar medicamentos prescritos da classe GLP-1, incluindo Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Saxenda.

Iniciativa no México gera apreensão no Brasil

A iniciativa transformou a plataforma de e-commerce em um canal oficial de distribuição digital da farmacêutica no país, utilizando a infraestrutura logística e de pagamentos do Mercado Livre para ampliar o acesso aos medicamentos voltados para diabetes e obesidade. Para analistas do JPMorgan, contudo, o mercado parece ter extrapolado o caso mexicano para o Brasil, levantando temores sobre um possível avanço do Mercado Livre sobre o setor farmacêutico nacional após a aquisição de uma farmácia física em São Paulo e o lançamento da operação MELI Farma.

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O banco argumenta que a comparação entre os dois mercados é limitada devido às regras brasileiras para comercialização de medicamentos. De acordo com a análise, a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece que a venda remota de medicamentos só pode ser realizada por farmácias ou drogarias devidamente licenciadas e abertas ao público. Além disso, os estoques precisam estar armazenados em estabelecimentos autorizados e supervisionados por farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento.

Regulação da Anvisa dificulta replicação do modelo

No caso específico dos medicamentos da classe GLP-1, as exigências regulatórias são ainda mais rigorosas. Desde junho de 2025, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a exigir retenção de receita no momento da venda. As farmácias também precisam registrar a movimentação desses produtos em sistemas de controle específicos, aumentando a complexidade operacional da distribuição. Para o JPMorgan, essas exigências tornam difícil a replicação no Brasil de um modelo semelhante ao observado no México.

Além disso, o banco destaca que a estratégia da MELI Farma parece estar concentrada em produtos de venda livre e categorias de menor complexidade regulatória, e não em medicamentos sujeitos a controle mais rígido. Análises de preços realizadas pelos próprios analistas indicam ainda que o Mercado Livre não apresenta, de forma geral, uma oferta especialmente competitiva em grande parte das categorias farmacêuticas.

JPMorgan vê reação exagerada e recomenda compra

Na visão da instituição, a aquisição de uma única farmácia pelo Mercado Livre representa mais um teste operacional e uma prova de conceito do que uma plataforma capaz de sustentar uma rápida expansão nacional baseada em um modelo de marketplace para medicamentos controlados. “O modelo pode permitir ofertas limitadas de venda direta, mas uma estrutura ampla de marketplace semelhante à reportada no México provavelmente exigiria mudanças regulatórias relevantes”, afirmam os analistas.

Diante desse cenário, o JPMorgan classifica a queda recente das ações como uma reação exagerada. O banco afirma que seria comprador dos papéis em momentos de fraqueza, especialmente de RD Saúde, que negocia a cerca de 14 vezes o lucro estimado para 2027. Já a Pague Menos é negociada a aproximadamente sete vezes o lucro projetado para o mesmo período.

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Mercado mexicano de GLP-1 ainda é pequeno

O relatório também chama atenção para as particularidades do mercado mexicano de medicamentos GLP-1. Segundo o banco, a penetração desses tratamentos ainda é muito baixa no país, atingindo apenas cerca de 0,1% da população adulta. Além disso, o custo mensal do tratamento permanece elevado e representa aproximadamente um quarto da renda média das famílias mexicanas. Na avaliação dos analistas, essas limitações financeiras restringem o tamanho atual do mercado endereçável e podem reduzir o potencial de crescimento das vendas desses medicamentos, mesmo com a entrada de novos canais digitais de distribuição.