Um estudo atualizado do professor Hendrik Bessembinder, da Universidade Estadual do Arizona, revela que apenas um grupo minúsculo de empresas respondeu por quase todos os lucros dos investidores no mercado de ações nos últimos 100 anos. As maiores geradoras de riqueza são dominadas por empresas de tecnologia, como Apple, Nvidia e Microsoft, com a Tesla e a SpaceX, de Elon Musk, entrando na lista de desempenhos extraordinários.
Desempenho do mercado: 96% das ações ficam para trás
Enquanto essas ações de elite entregaram retornos espetaculares, mais de 96% do mercado de ações praticamente não gerou ganhos significativos para os investidores ao longo de períodos extensos. A imensa maioria das ações não conseguiu sequer igualar o retorno médio de 3,3% dos títulos do Tesouro americano de um mês, que representa o rendimento possível sem assumir risco relevante.
As conclusões vêm da atualização mais recente do estudo de longa duração de Bessembinder, que reúne dados desde 1926. A ascensão das gigantes de tecnologia alterou radicalmente o ranking na última década, com a Tesla, por exemplo, subindo para a nona posição entre todas as companhias de capital aberto no século, quando não aparecia na lista nove anos atrás.
Spacex entra na lista das 30 maiores
Mais impressionante ainda: quando Bessembinder refez os cálculos em 16 de junho, poucos dias após o IPO da SpaceX, a empresa entrou na lista das 30 maiores de todos os tempos, embora a queda de suas ações desde então a tenha tirado desse grupo seleto. “Temos visto retornos muito altos de empresas extraordinariamente grandes nos últimos anos, e os primeiros dias da SpaceX como companhia aberta foram um estudo de caso disso”, disse ele. “Para mim, o mais impressionante nos últimos nove anos é que não só a criação de riqueza está altamente concentrada em poucas empresas, como essa tendência vem se acelerando.”
Implicações para investidores
Em 2017, a primeira versão do estudo já mostrava que os obstáculos para investidores que escolhem ações individualmente eram formidáveis. As ações da maioria das empresas não superavam nem mesmo os títulos básicos do Tesouro americano. Uma pequena parcela de grandes vencedoras sustentava o mercado inteiro, mas saber de antemão quais seriam as vencedoras era extremamente difícil.
Por isso, o estudo conclui que, para a grande maioria dos investidores, é muito menos arriscado evitar completamente a escolha individual de ações e investir por meio de fundos diversificados e de baixo custo, especialmente fundos de índice que replicam o mercado como um todo. No entanto, as conclusões também deixam claro que há fortunas imensas a serem feitas por quem for habilidoso ou sortudo o suficiente para fazer as escolhas certas.
Ranking das maiores geradoras de riqueza (1926-2025)
No primeiro estudo, a Exxon Mobil era a líder de desempenho entre 1926 e 2016. Agora, com 100 anos de dados, o ranking é dominado por tecnologia. A criação de riqueza ao longo da vida está ligada não apenas ao desempenho das ações, mas também ao valor de mercado total da empresa. Isso significa que uma alta de 10% no preço das ações de uma gigante tem efeito muito maior sobre a criação total de riqueza do que uma alta de 10% em uma empresa pequena.
Aqui estão as líderes entre 1926 e dezembro de 2025, incluindo sua criação de riqueza ao longo da vida e a porcentagem dos US$ 91 trilhões de riqueza total gerada no mercado acionário:
- Apple (AAPL34): US$ 5,02 trilhões (5,5%)
- Nvidia (NVDC34): US$ 4,58 trilhões (5%)
- Microsoft (MSFT34): US$ 4,03 trilhões (4,4%)
- Alphabet (GOGL34): US$ 3,57 trilhões (4,4%)
- Amazon (AMZO34): US$ 2,27 trilhões (2,5%)
- Broadcom (AVGO34): US$ 1,6 trilhão (1,8%)
- Exxon Mobil (EXXO34): US$ 1,42 trilhão (1,6%)
- Meta (M1TA34): US$ 1,39 trilhão (1,5%)
- Tesla (TSLA34): US$ 1,3 trilhão (1,4%)
- Walmart (WALM34): US$ 1,2 trilhão (1,3%)
Concentração de riqueza se acelera
O mercado de ações mudou nos últimos nove anos de maneiras que tornam as implicações do estudo original ainda mais fortes. Na nova versão, apenas as duas primeiras empresas, Apple e Nvidia, responderam por 10% da criação de riqueza até dezembro. No período de 1926 a 2016, eram necessárias cinco empresas para chegar a 10% da riqueza total dos acionistas.
Somada, a criação líquida de riqueza das 10 principais ações da nova lista chega a 29% do total de todo o século, contra 17,1% no estudo anterior. O crescimento explosivo das ações de tecnologia explica essas mudanças. A diversificação de investimentos é mais importante do que nunca, mas alcançar uma diversificação verdadeira ficou mais difícil agora que inteligência artificial e semicondutores dominam vários mercados globalmente.
A ascensão da SpaceX reforça esse ponto. A empresa é tão grande e tão bem avaliada que fazer uma aposta individual relevante nela é arriscado. A história agora nos diz que a enorme riqueza gerada por ações desse tipo no setor de tecnologia também traz um risco em escala igualmente grandiosa.



