Em um ano desafiador para os fundos multimercados, apenas cinco conseguiram superar o CDI em 2026. Segundo levantamento da XP, os fundos vencedores têm em comum uma baixa exposição a juros locais e uma alocação significativa em hedge cambial, proteção contra a desvalorização do real.
O que explica o desempenho superior
Os fundos que bateram o CDI no ano adotaram estratégias defensivas, com posições reduzidas em títulos de renda fixa atrelados à Selic e maior exposição a ativos indexados ao dólar. A alta do dólar e a volatilidade no mercado de juros locais favoreceram essas alocações.
De acordo com a XP, o CDI acumulou alta de 8,5% no primeiro semestre, enquanto a maioria dos multimercados ficou abaixo desse patamar. Apenas cinco fundos, com patrimônio líquido superior a R$ 500 milhões cada, conseguiram rendimento superior a 9% no período.
Estratégias comuns entre os vencedores
Entre as características compartilhadas, destaca-se a baixa exposição a NTN-Bs (títulos indexados à inflação) e a opção por aplicações em CDBs pós-fixados e operações de câmbio. "Os gestores que mais se protegeram da alta do dólar e da piora do cenário fiscal conseguiram entregar retorno acima do CDI", afirma o analista da XP, Pedro Rabelo.
Outro ponto em comum é a redução de posições em juros locais, que sofreram com a expectativa de aperto monetário. Enquanto isso, a exposição a ativos internacionais, como títulos do Tesouro americano e ETFs de renda variável global, contribuiu para o resultado.
Impacto para o investidor
Para o investidor pessoa física, o desempenho dos multimercados serve de alerta sobre a importância da diversificação. "Muitos fundos prometem retorno acima do CDI, mas poucos entregam consistentemente. É crucial analisar a estratégia e o histórico", recomenda Rabelo.
Os cinco fundos que superaram o CDI no primeiro semestre de 2026 são: XP Macro FIC FIM, Itaú Hedge FIC FIM, Bradesco Global FIM, Santander Dynamic FIC FIM e Safra Alpha FIC FIM. Todos eles mantêm exposição cambial entre 20% e 40% do patrimônio.
Com a perspectiva de juros elevados por mais tempo no Brasil, a tendência é que a estratégia de hedge cambial continue sendo um diferencial para os multimercados. No entanto, a XP alerta que o cenário pode mudar rapidamente, e a gestão ativa é essencial.



