Apenas cinco fundos multimercados brasileiros conseguiram superar o CDI no acumulado do ano até junho de 2025, segundo levantamento da XP Investimentos. O resultado reflete um cenário desafiador para a categoria, que enfrenta juros voláteis, incertezas fiscais e baixa correlação entre ativos.
Estratégias comuns entre os vencedores
Os fundos que bateram o CDI compartilham características semelhantes: posições táticas em juros locais, exposição moderada a bolsa e operações de arbitragem no câmbio. Segundo relatório da XP, a alocação em títulos públicos indexados à inflação e a redução de risco em crédito privado foram diferenciais importantes.
Entre os destaques estão os fundos das gestoras Adam Capital, Kinea e SPX, que conseguiram navegar a volatilidade do mercado de juros futuros. A Adam Capital, por exemplo, manteve posição comprada em NTN-Bs longas, enquanto a Kinea apostou em operações de juro real versus nominal.
Por que a maioria ficou para trás?
Dos mais de 2.000 fundos multimercados acompanhados pela XP, apenas 0,25% superaram o CDI no período. A maioria sofreu com a alta da taxa Selic, que subiu para 14,75% ao ano, e com a desvalorização do real, que atingiu R$ 5,80 por dólar. "O cenário de juros elevados e incerteza fiscal penalizou estratégias que dependiam de queda da curva de juros", explica a analista da XP, Marina Borges.
Impacto para o investidor
Para o investidor pessoa física, o desempenho dos multimercados reforça a importância de diversificar e escolher gestoras com histórico de gestão ativa. "Nunca nada tão óbvio esteve tão barato", diz Eduardo Appel, da Adam Capital, sobre a alocação em inteligência artificial. No entanto, a maioria dos fundos ainda busca se adaptar ao novo regime de juros.
A XP recomenda que investidores avaliem a exposição a multimercados com base no perfil de risco e no horizonte de investimento, evitando migrar para renda fixa pura sem considerar a proteção contra inflação.



