Em um cenário de juros elevados e volatilidade, apenas cinco fundos multimercados conseguiram superar o CDI no acumulado de 2025 até junho. O desempenho contrasta com a média do setor, que registrou retornos abaixo do benchmark. Os gestores desses fundos adotaram estratégias como alocação em ativos internacionais, operações de arbitragem e exposição seletiva a crédito privado.
Estratégias vencedoras
Segundo análise da Quantum Finance, os fundos que bateram o CDI têm em comum a diversificação geográfica e o uso de derivativos para proteção cambial. Um dos fundos, por exemplo, aplicou 30% do patrimônio em títulos do Tesouro americano, aproveitando o diferencial de juros. Outro gestor destacou a importância de posições vendidas em juros locais para capturar a inclinação da curva.
Desafios do mercado
A taxa Selic em 14,25% ao ano torna o CDI um alvo desafiador para fundos que cobram taxas de administração e performance. A maioria dos multimercados ficou no vermelho no primeiro semestre, pressionada pela alta do dólar e pela aversão a risco global. "O cenário macroeconômico exige ajustes constantes na carteira", afirmou um dos gestores ouvidos pela reportagem.
Perspectivas para o segundo semestre
Analistas apontam que a continuidade do aperto monetário e as incertezas fiscais devem manter a seletividade. Os fundos que se destacaram até agora podem enfrentar dificuldades se houver mudança brusca na política econômica. Especialistas recomendam que investidores avaliem a correlação dos fundos com o CDI e a exposição a riscos de crédito.



