A Receita Federal efetua nesta sexta-feira, dia 29, o pagamento do primeiro lote da restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) referente ao exercício de 2026, ano-base 2025. Serão beneficiados os contribuintes que se enquadram nos critérios de prioridade legal, como idosos, professores e pessoas com deficiência. De acordo com o órgão federal, aproximadamente R$ 16 bilhões serão distribuídos a cerca de nove milhões de pessoas nesta primeira rodada de pagamentos.
Como receber o valor
Os valores serão creditados diretamente na conta bancária informada pelo contribuinte no momento da declaração. Caso o cidadão não realize o saque no prazo de um ano, será necessário solicitar o resgate por meio do Centro de Atendimento Virtual ao Contribuinte (Portal e-CAC), disponível no site oficial da Receita Federal. Se você está entre os brasileiros que terão a conta bancária incrementada hoje, provavelmente já está pensando em como utilizar esse dinheiro. A seguir, confira as recomendações de especialistas.
Quitar dívidas deve ser a prioridade
Segundo Wellington Viegas, especialista em contabilidade da Soma Contabilidade Integrada, a restituição do Imposto de Renda deve ser encarada como uma oportunidade para reorganizar a vida financeira. Para ele, o erro mais frequente é tratar o valor como um prêmio ou dinheiro sem compromisso. “A primeira prioridade deve ser quitar dívidas, principalmente aquelas com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial. Quem tem dívidas e usa a restituição apenas para consumo continua pagando juros elevados e perde a chance de melhorar sua situação financeira de forma mais sólida”, afirma.
Caso o valor não seja suficiente para quitar todas as pendências, Viegas orienta os contribuintes a não agirem por impulso. O ideal é utilizar o dinheiro de forma estratégica, priorizando as dívidas com juros mais elevados. “Em muitos casos, a restituição pode servir como entrada para uma renegociação, o que já ajuda a reduzir juros e parcelas. Também é fundamental reorganizar o orçamento para evitar que a dívida continue crescendo”, completa.
Guardar dinheiro e começar a investir
Para aqueles que não possuem dívidas a quitar, os especialistas recomendam a criação de um fundo de emergência e a aplicação do dinheiro. Os melhores investimentos dependem do objetivo e do prazo de cada pessoa. “O ideal é montar ou reforçar a reserva de emergência, garantindo uma proteção financeira para imprevistos. Em seguida, vale direcionar parte do valor para algo que aumente a renda no futuro”, explica Simone Santolin, mentora de finanças.
A especialista detalha que, para objetivos de curto prazo ou reserva de emergência, o mais indicado são aplicações seguras e com liquidez diária, como Tesouro Selic e CDBs que acompanham o CDI. Já para metas de médio prazo, como comprar um imóvel ou abrir um negócio, investimentos como Tesouro IPCA+, LCIs e LCAs podem ser boas alternativas. Pensando a longo prazo e na construção de patrimônio, Santolin orienta os contribuintes a considerar investimentos voltados para crescimento, como ETFs, ações de boas empresas e fundos imobiliários. Segundo ela, o mais importante não é buscar o investimento “perfeito”, mas investir com constância, estratégia e visão de longo prazo.
Invista na sua carreira ou compre o que precisa
Quem já está com a vida financeira organizada pode usar a restituição de forma ainda mais estratégica. A mentora de finanças afirma que a principal orientação é dividir o valor entre crescimento patrimonial, desenvolvimento pessoal e qualidade de vida. “Uma parte pode ir para investimentos que aumentem o patrimônio no longo prazo. Outra parte pode ser usada em algo que gere evolução profissional ou pessoal, como cursos, viagens com propósito, saúde ou experiências que tragam crescimento. E também faz sentido separar uma parcela para lazer ou realização de algum desejo, mas de maneira consciente, sem transformar o dinheiro em consumo impulsivo”, conclui.



