O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,14% em junho, desacelerando em relação ao mês anterior (0,46%) e ficando abaixo das expectativas do mercado. O dado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Resultado abaixo do esperado
Analistas consultados pela Reuters projetavam uma alta de 0,24% para o mês. A variação acumulada em 12 meses atingiu 4,33%, acima dos 4,16% registrados nos 12 meses anteriores, mas ainda dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação.
Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que caíram 0,22% em junho, após alta de 0,54% em maio. Por outro lado, os transportes subiram 0,39%, puxados pelo aumento da gasolina (0,62%) e do etanol (0,78%).
Alimentos puxam desaceleração
Dentre os grupos de despesa, alimentação e bebidas teve a maior contribuição negativa, com variação de -0,22%. Destaque para a queda nos preços do tomate (-11,24%), batata-inglesa (-6,78%) e leite longa vida (-2,35%).
Já o grupo de transportes (0,39%) foi o principal responsável pela alta do índice, com destaque para os combustíveis. As passagens aéreas também subiram 4,21% no período.
Impacto no poder de compra
O INPC mede a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos. A alta acumulada em 12 meses (4,33%) supera a do IPCA, que fechou em 4,23% no mesmo período, indicando maior pressão inflacionária sobre as classes de menor renda.
Para o coordenador de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov, “a desaceleração dos alimentos foi fundamental para conter a alta do índice em junho, mas os transportes continuam pressionando, especialmente os combustíveis”.
Perspectivas para os próximos meses
O mercado financeiro espera que a inflação continue em trajetória de desaceleração nos próximos meses, mas alerta para riscos como a alta do dólar e as incertezas fiscais. O Banco Central tem mantido a taxa Selic em 13,75% ao ano para conter a inflação.



