A divulgação de dados de inflação mais fracos do que o esperado nos Estados Unidos provocou uma reação imediata nos mercados financeiros globais, com reflexos diretos no Brasil. O dólar comercial fechou em queda de 1,2%, cotado a R$ 5,42, enquanto as taxas de juros futuros recuaram em toda a curva, especialmente nos contratos de curto prazo.
Impacto nos ativos brasileiros
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,2% em junho ante maio, abaixo da previsão de 0,3% dos analistas. No acumulado em 12 meses, a inflação americana desacelerou de 4,0% para 3,8%, reforçando a aposta de que o Federal Reserve (Fed) pode encerrar o ciclo de alta de juros. Com isso, o real se fortaleceu frente ao dólar, beneficiando também a Bolsa de Valores, que subiu 1,5%.
Juros futuros em queda
No mercado de juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caiu de 13,25% para 13,10%, enquanto o DI para janeiro de 2027 recuou de 12,80% para 12,65%. Segundo analistas, a redução das incertezas externas abre espaço para que o Banco Central brasileiro possa considerar cortes na Selic mais cedo do que o previsto.
“A leitura de que a inflação americana está sob controle reduz a pressão sobre os emergentes e dá mais conforto para a política monetária doméstica”, afirmou em nota o economista-chefe de uma corretora. A expectativa é que o próximo relatório de inflação dos EUA, previsto para agosto, confirme a tendência de desaceleração.
Perspectivas para o câmbio
O movimento de apreciação do real também foi impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro para a renda fixa brasileira, que oferece juros reais elevados. A taxa de câmbio acumula queda de 2,5% na semana, maior desvalorização do dólar desde maio. Especialistas ponderam, no entanto, que o cenário fiscal doméstico ainda requer atenção.
“O real se beneficia do ambiente externo favorável, mas as incertezas sobre o arcabouço fiscal e as contas públicas podem limitar ganhos adicionais”, destacou um gestor de fundos. O mercado monitora a tramitação de medidas fiscais no Congresso e a evolução da arrecadação.



