A inflação ao consumidor nos Estados Unidos desacelerou para 3,5% em junho na comparação anual, ante 3,8% em maio, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa 3,6%, e representa o menor nível desde maio de 2023.
Núcleo da inflação também recua
O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 3,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, contra 3,3% em maio. A leitura também veio abaixo da previsão de 3,2%. Na base mensal, o CPI geral ficou estável (0,0%), enquanto o núcleo avançou 0,2%.
O recuo foi puxado principalmente pela queda nos preços da gasolina (-3,8%) e dos automóveis usados (-1,5%). Já o aluguel continuou pressionando, com alta de 0,3% no mês e 5,1% em 12 meses.
Impacto na política monetária
O dado reforça a percepção de que o ciclo de aperto monetário do Federal Reserve está surtindo efeito. “A inflação está claramente em trajetória descendente, mas o Fed deve esperar mais alguns meses de dados para confirmar a tendência antes de cortar juros”, afirmou Laura Rosner, economista-sênior da MacroPolicy Perspectives.
Atualmente, a taxa básica de juros americana está na faixa de 5,25% a 5,50%. O mercado passou a precificar uma probabilidade de 68% de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, segundo o CME FedWatch.
Reação dos mercados
Os índices futuros de Wall Street operavam em alta após o anúncio. O dólar caiu frente a outras moedas, e o rendimento do título do Tesouro de 10 anos recuou para 4,12%. Para o Brasil, a desaceleração da inflação americana pode aliviar a pressão sobre o real e abrir espaço para cortes na Selic.



