A inflação de serviços no Brasil desacelerou em junho, atingindo a menor taxa mensal desde o início da pandemia, impulsionada pela queda nos preços dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o grupo de serviços registrou alta de 0,25% no mês, ante 0,48% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Alimentos mais baratos puxam desaceleração
O principal fator para a desaceleração foi a redução nos preços dos alimentos, que caíram 0,33% em junho, após alta de 0,14% em maio. Itens como arroz, feijão, leite e carnes registraram quedas significativas. "A safra recorde de grãos e a melhora na oferta de proteínas animais contribuíram para a queda nos preços", explicou André Almeida, analista do IBGE.
Com isso, a inflação de serviços acumulada em 12 meses recuou para 4,2%, ante 4,5% no mês anterior. O índice geral do IPCA subiu 0,21% em junho, abaixo das expectativas do mercado, que previam alta de 0,30%. No acumulado do ano, a inflação está em 2,48%.
Impacto no poder de compra e na política monetária
A desaceleração da inflação de serviços é vista com bons olhos pelo Banco Central, que tem mantido a taxa Selic em 13,75% ao ano para conter as pressões inflacionárias. "A queda nos preços dos alimentos alivia o orçamento das famílias de baixa renda, que gastam proporcionalmente mais com alimentação", destacou Carla Ribeiro, economista da Fundação Getulio Vargas.
No entanto, outros serviços continuam pressionados. O setor de transportes, por exemplo, registrou alta de 0,45% em junho, puxado pelo aumento das passagens aéreas. Já os serviços de saúde subiram 0,30%, influenciados pelos reajustes de planos de saúde.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, a expectativa é de que a inflação de serviços continue em trajetória de desaceleração, mas em ritmo mais lento. "Ainda há incertezas quanto ao comportamento dos preços dos combustíveis e da energia elétrica, que podem sofrer reajustes sazonais", ponderou Almeida. O mercado projeta que o IPCA feche 2026 em torno de 4,8%, dentro da meta de inflação de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.



