A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou em maio, registrando alta de 0,58%. Apesar da leve queda em relação ao mês anterior, o resultado é o mais elevado para o mês de maio desde 2021, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Alimentos e energia elétrica pressionam o IPCA
Os principais responsáveis pela alta foram os alimentos e a energia elétrica. Os preços dos alimentos subiram 1,2% no mês, puxados por itens como carnes, leite e frutas. Já a energia elétrica residencial registrou aumento de 2,5%, reflexo do acionamento da bandeira tarifária amarela em maio. Juntos, esses dois grupos contribuíram com cerca de 0,4 ponto percentual para o índice geral.
IPCA supera previsões do mercado
O resultado do IPCA de maio ficou acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,50%. A taxa acumulada nos últimos 12 meses atingiu 4,72%, ultrapassando o teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5% para 2026. Com isso, a autoridade monetária pode enfrentar maior pressão para elevar a taxa Selic nas próximas reuniões.
Economistas alertam para riscos futuros
Economistas consultados pelo Banco Central apontam que a inflação pode sofrer novas pressões nos próximos meses devido a fatores como conflitos geopolíticos globais e condições climáticas adversas que afetam a produção de alimentos. Além disso, a desvalorização cambial recente também preocupa, já que encarece produtos importados e insumos industriais.
O IBGE também destacou que, apesar da desaceleração mensal, a inflação de serviços permanece elevada, o que indica que a demanda aquecida ainda pressiona os preços. Para o restante do ano, as projeções do mercado indicam que o IPCA deve encerrar 2026 em torno de 4,2%, ainda acima do centro da meta de 3,5%.



