O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,33%, enquanto a taxa Selic permaneceu estimada em 14% ao ano. A pesquisa, que reúne as expectativas de mais de 100 instituições financeiras, também registrou uma leve alta na previsão do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano.
Inflação estável e juros elevados
Para 2026, a mediana das expectativas de inflação medida pelo IPCA ficou em 5,33%, repetindo o número da semana anterior. A meta de inflação para o período é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A persistência da inflação acima do centro da meta justifica a manutenção da Selic em patamar elevado, atualmente em 14,25% ao ano, com projeção de encerrar 2026 a 14%.
O mercado também ajustou levemente a expectativa para o PIB de 2026, que subiu de 2,00% para 2,05%, segundo o relatório. Para 2025, a projeção de crescimento econômico ficou estável em 2,10%.
Déficit primário do governo central
O governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio, resultado em linha com o esperado pelo mercado. O número considera as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. No acumulado de janeiro a maio, o déficit primário soma R$ 21,8 bilhões, ante meta de déficit zero para o ano.
O resultado de maio foi influenciado por despesas sazonais e pelo aumento de gastos com pessoal e benefícios previdenciários. A arrecadação federal, por outro lado, apresentou crescimento real de 1,2% no mês, mas não foi suficiente para evitar o saldo negativo.
Impacto nos mercados
As projeções do Focus são acompanhadas de perto por investidores, que ajustam suas carteiras com base nas expectativas de juros e inflação. A manutenção da Selic em 14% sinaliza aperto monetário prolongado, o que tende a favorecer ativos de renda fixa e pressionar a bolsa de valores. O dólar, por sua vez, opera estável, cotado a R$ 5,70, refletindo a trégua entre EUA e Irã e a agenda econômica doméstica.
Segundo analistas, a persistência da inflação alta deve manter o Banco Central cauteloso, sem espaço para cortes na Selic no curto prazo. A próxima reunião do Copom está marcada para julho, quando a taxa deve ser mantida em 14,25%.



