A ZF, uma das maiores fornecedoras globais de tecnologia para veículos, defende que a descarbonização do transporte pesado não seguirá uma rota única. Países como o Brasil podem adotar trajetórias distintas das observadas atualmente na Europa, segundo executivos da empresa.
Transição energética exige soluções regionais
Durante apresentação de novas tecnologias em Hannover, Alemanha, a ZF afirmou que a eletrificação dos veículos continua sendo o destino final da indústria, mas o caminho pode ser diferente para cada região. Andreas Moser, membro do conselho de administração da ZF e responsável global pela divisão de veículos comerciais, declarou: “O futuro é claro, mas o caminho não é tão linear quanto se imaginava.”
Segundo Moser, a indústria revisa expectativas criadas nos últimos anos em torno da eletrificação total. Fatores como infraestrutura, custos, regulamentações e características regionais levam a estratégias mais flexíveis.
China, Europa, EUA e Brasil em ritmos diferentes
Ivan Brajdic, vice-presidente sênior e chefe global de P&D da divisão de veículos comerciais da ZF, destacou a diversidade regulatória e tecnológica: “Temos de acomodar toda essa diversidade enquanto desenvolvemos plataformas globais.” Ele apontou que a China prioriza velocidade e escala, a Europa é guiada por regulamentações, os EUA revisam sua estratégia, e Brasil, Japão e Coreia do Sul buscam caminhos próprios.
Infraestrutura de recarga é desafio para caminhões de longa distância
Fabian Schlegel, responsável global de estratégia e desenvolvimento de negócios da divisão de veículos comerciais, explicou que a implantação de pontos de recarga para caminhões é mais complexa do que para automóveis. “Além da necessidade de grandes áreas para estacionamento, a operação exige elevada disponibilidade de energia elétrica.” Por outro lado, aplicações urbanas são mais favoráveis: “Para ônibus e operações de distribuição urbana, a recarga nos pátios é relativamente simples de implementar.”
Tecnologia híbrida ganha relevância para o Brasil
A ZF desenvolveu uma versão híbrida da transmissão TraXon 2, combinando motor a combustão com motor elétrico integrado. Segundo Schlegel, o interesse pela tecnologia cresceu após apresentação em 2024. “O híbrido permite experimentar os benefícios da eletrificação sem algumas limitações dos veículos totalmente elétricos.” Ele afirmou que o conceito pode ganhar relevância em países de dimensões continentais, como Brasil, China e EUA. “O Brasil é enorme e possui muitas operações de longa distância. Nesse contexto, o híbrido pode ser uma alternativa interessante para quem busca reduzir emissões sem assumir riscos de autonomia.”
ZF pretende ampliar conversas na Fenatran
A empresa já identificou receptividade do mercado brasileiro à tecnologia híbrida e planeja ampliar diálogos com fabricantes e operadores durante a Fenatran, em novembro.
Descarbonização será mais complexa, mas elétrico segue como meta
A ZF mantém a visão de longo prazo baseada em veículos elétricos, conectados e automatizados, mas admite que a transição exigirá soluções intermediárias adaptadas a cada mercado. Países como o Brasil devem seguir ritmo próprio, equilibrando metas ambientais, infraestrutura e viabilidade econômica.



