O setor brasileiro de máquinas e equipamentos manifestou oposição ao uso da Lei da Reciprocidade como resposta ao tarifaço dos Estados Unidos, argumentando que a retaliação agravaria a situação do segmento. Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reuniram-se com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir os impactos das tarifas americanas e apresentar sua posição.
Reunião com Alckmin e posicionamento do setor
Durante o encontro, realizado em Brasília, a Abimaq enfatizou a preferência por negociações diplomáticas em vez de medidas retaliatórias. Segundo a entidade, a aplicação da reciprocidade poderia elevar custos e prejudicar ainda mais a competitividade do setor, que já enfrenta desafios com as tarifas impostas pelos EUA. O governo brasileiro estuda a Lei da Reciprocidade como ferramenta para responder às sobretaxas americanas, mas a indústria de máquinas alerta para os riscos de uma escalada comercial.
Impactos das tarifas e alternativas propostas
O setor de máquinas é um dos mais afetados pelo tarifaço dos EUA, que atingiu produtos como tratores, colheitadeiras e componentes industriais. A Abimaq estima que as exportações brasileiras de máquinas para os Estados Unidos somam cerca de US$ 2 bilhões anuais, e as tarifas podem reduzir significativamente esse fluxo. Como alternativa à retaliação, o setor propõe medidas como a redução do Custo Brasil, a simplificação tributária e ajustes no programa Brasil Soberano, visando melhorar a competitividade sem recorrer a barreiras comerciais.
Posição oficial e próximos passos
Em nota, a Abimaq afirmou que “a retaliação não é o caminho mais adequado neste momento, pois pode agravar o cenário para o setor e gerar incertezas adicionais”. A entidade defende que o Brasil busque soluções negociadas com os EUA, aproveitando canais diplomáticos e acordos bilaterais. Alckmin, por sua vez, ouviu as demandas e se comprometeu a avaliar as propostas, mas não anunciou decisões imediatas. O governo segue analisando as opções de resposta ao tarifaço, incluindo a possibilidade de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC).



