Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil com juros altos
Recuperações extrajudiciais avançam com juros altos

O número de recuperações extrajudiciais no Brasil tem aumentado significativamente, impulsionado pelo cenário de juros elevados que pressiona as empresas endividadas. Dados recentes mostram que, em 2025, os pedidos de recuperação extrajudicial cresceram mais de 30% em relação ao ano anterior, refletindo a dificuldade das companhias em honrar compromissos financeiros.

O que são recuperações extrajudiciais?

Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial é um processo mais ágil e menos burocrático, no qual a empresa negocia diretamente com seus credores, sem necessidade de intervenção judicial. Esse mecanismo tem sido preferido por empresas que buscam reestruturar dívidas de forma rápida, evitando os custos e a exposição de um processo judicial.

Segundo especialistas, a alta dos juros básicos (Selic) tem sido o principal gatilho para o avanço das recuperações extrajudiciais. Com a taxa básica em dois dígitos, o custo do crédito dispara, comprimindo as margens das empresas e elevando a inadimplência. “As empresas estão sufocadas com o custo financeiro. A recuperação extrajudicial surge como uma alternativa para evitar a falência”, afirma o advogado especialista em direito empresarial, Carlos Mendes.

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Setores mais afetados

Os setores de comércio, serviços e construção civil são os que mais recorrem a esse tipo de recuperação. Pequenas e médias empresas, que têm menos acesso a linhas de crédito e maior sensibilidade aos juros, lideram os pedidos. Dados do Serasa Experian indicam que, em maio de 2025, o número de empresas com dívidas em atraso superou 6 milhões, um recorde histórico.

“A recuperação extrajudicial é uma ferramenta importante, mas exige planejamento e transparência. O sucesso depende da capacidade da empresa de apresentar um plano viável aos credores”, explica a consultora financeira Ana Lúcia Souza.

Impacto econômico

O avanço das recuperações extrajudiciais reflete um ambiente macroeconômico desafiador, com inflação persistente e juros altos. Embora o governo tenha sinalizado cortes na Selic, o mercado projista que a taxa permaneça elevada por mais tempo. Isso deve manter a pressão sobre as empresas nos próximos meses.

Para o economista-chefe de uma consultoria, Roberto Almeida, o aumento das recuperações extrajudiciais é um sinal de alerta. “Se os juros não caírem de forma consistente, veremos mais empresas recorrendo a esse mecanismo, e algumas podem não conseguir se reerguer”, alerta.

Perspectivas

A tendência é que as recuperações extrajudiciais continuem em alta, especialmente se a política monetária não for flexibilizada. No entanto, a ferramenta tem se mostrado eficaz para muitas empresas, que conseguem alongar prazos e reduzir juros, mantendo suas operações. A expectativa é que, com a melhora gradual da economia, o número de pedidos comece a recuar a partir de 2026.

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