Juros atraem indústria aos fundos constitucionais, afirma CNI
Juros atraem indústria aos fundos constitucionais

O aumento das taxas de juros no Brasil está levando a indústria a buscar alternativas de financiamento mais baratas, com destaque para os fundos constitucionais. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as contratações desses fundos cresceram 45% em 2025, atingindo o maior volume da história.

Crescimento recorde das contratações

Em 2025, os desembolsos dos fundos constitucionais para o setor industrial somaram R$ 12,3 bilhões, um aumento de 45% em relação ao ano anterior. O valor é o maior já registrado desde a criação dos fundos, em 1989. A CNI atribui esse crescimento à busca por linhas de crédito com juros mais baixos, em um cenário de taxa Selic elevada.

Os fundos constitucionais são geridos pelo Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Banco do Brasil, e oferecem taxas de juros subsidiadas para investimentos em regiões menos desenvolvidas. Em 2025, a taxa média dos financiamentos foi de 8,5% ao ano, enquanto a Selic fechou o ano em 13,75%.

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Setores mais beneficiados

Os setores que mais utilizaram os recursos foram o de alimentos e bebidas, com 22% do total, seguido por metalurgia (15%) e química (12%). As empresas de pequeno e médio porte foram as principais tomadoras, respondendo por 68% dos contratos.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, "a indústria brasileira tem encontrado nos fundos constitucionais uma fonte de financiamento essencial para manter seus investimentos, especialmente em um momento de juros elevados. É fundamental que esses recursos continuem disponíveis e com regras claras para o setor produtivo".

Impacto regional

Os recursos foram direcionados principalmente para as regiões Norte e Nordeste, que receberam 55% e 30% dos desembolsos, respectivamente. O Centro-Oeste ficou com 10%, e o Sudeste, com 5%. A CNI destaca que os fundos têm papel importante no desenvolvimento regional, reduzindo desigualdades.

"Os fundos constitucionais são um instrumento de política pública que promove o desenvolvimento das regiões menos favorecidas, gerando emprego e renda", afirmou o superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abreu. "O aumento da procura mostra que a indústria reconhece esse papel e busca se beneficiar dessas condições especiais."

Perspectivas para 2026

A CNI projeta que a demanda pelos fundos constitucionais deve continuar alta em 2026, caso a Selic permaneça em patamares elevados. A entidade estima que as contratações podem crescer mais 20% neste ano, alcançando R$ 14,8 bilhões. No entanto, alerta para a necessidade de ampliação dos recursos disponíveis, já que a demanda tem superado a oferta.

"O governo precisa garantir que os fundos tenham orçamento suficiente para atender a crescente procura. Caso contrário, a indústria pode ser obrigada a recorrer a fontes mais caras, comprometendo a competitividade", concluiu Alban.

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