O apetite da indústria de médio porte para diversificar seu portfólio de produtos se mantém estável nos últimos 12 meses, segundo levantamento setorial. O mercado projeta um aumento significativo de lançamentos entre julho e outubro, período estratégico para atender a demanda do varejo impulsionada pelas festas de fim de ano.
Estabilidade no apetite por diversificação
De acordo com a pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Médio Porte (Abimp), 68% das empresas consultadas afirmaram manter o mesmo nível de interesse em ampliar suas linhas de produtos em comparação ao ano anterior. Esse percentual reflete uma cautela estratégica, já que o cenário econômico ainda apresenta incertezas. "A estabilidade mostra que as empresas estão avaliando cuidadosamente os riscos antes de investir em novos segmentos", explica Carlos Mendes, economista-chefe da Abimp.
Janela de lançamentos entre julho e outubro
O período de julho a outubro é visto como a principal janela para o lançamento de novos produtos. A expectativa é de que 45% das empresas de médio porte realizem ao menos um lançamento nesse intervalo, ante 38% no mesmo período de 2023. O aumento está diretamente ligado à preparação para o Natal, quando o varejo costuma ampliar seus estoques. "Quem não lançar até outubro perde a oportunidade de estar nas prateleiras na data mais importante do comércio", destaca Ana Paula Souza, diretora de supply chain da consultoria Varejo Estratégico.
Setores com maior dinamismo
Os setores de alimentos e bebidas, higiene pessoal e limpeza doméstica lideram a intenção de lançamentos. Juntos, eles respondem por 62% dos novos produtos previstos. A indústria de médio porte tem buscado atender nichos específicos, como produtos orgânicos, veganos e com menor impacto ambiental. "O consumidor final está mais exigente, e o varejo demanda inovação constante para se diferenciar", observa Mendes.
Impacto no varejo e na economia
A renovação do portfólio deve gerar um incremento de 3,5% nas vendas do varejo no quarto trimestre, segundo projeções da Abimp. Além disso, a movimentação na indústria deve criar cerca de 12 mil postos de trabalho temporários entre julho e dezembro. "É um ciclo virtuoso: a indústria inova, o varejo vende mais e a economia ganha fôlego", conclui Ana Paula Souza.



