A possibilidade de um Super El Niño tem mobilizado o setor energético brasileiro. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já adota medidas preventivas para enfrentar os desafios trazidos pelo fenômeno climático, que pode alterar significativamente o regime de chuvas e a disponibilidade de recursos hídricos no país.
Medidas do ONS para minimizar impactos
Entre as principais ações está a contenção no uso de água dos reservatórios de Itaipu e das hidrelétricas da região Sul. O objetivo é preservar a capacidade de geração durante o segundo semestre, quando os efeitos do El Niño costumam ser mais intensos. De acordo com o ONS, a economia desses reservatórios estratégicos garante a disponibilidade de recursos para atender a demanda de energia elétrica.
A região Sul tende a registrar maiores índices de precipitação durante o El Niño, enquanto as regiões Norte e Nordeste sofrem com a redução das chuvas. Isso afeta diretamente o abastecimento de bacias importantes, como as de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte, que dependem do regime hídrico.
Condições hidrometeorológicas atuais
Em nota, o ONS destacou que as estratégias foram acionadas devido à melhoria nas condições hidrometeorológicas da região Sul e Sudeste em junho, em comparação com meses anteriores. As frentes frias e o elevado índice de precipitação contribuíram para essa situação, permitindo uma gestão mais cuidadosa dos recursos.
Alerta da OMM: preparação global necessária
No início do mês, a diretora da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, alertou que o mundo precisa se preparar para um El Niño que pode exacerbar secas e chuvas intensas, além de aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano. A declaração foi feita em entrevista ao Estadão, reforçando a importância de medidas preventivas.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e oriental. Esse aquecimento provoca mudanças globais nos ventos, chuvas e pressão atmosférica. O fenômeno ocorre em intervalos de dois a sete anos e tem duração aproximada de um ano.
De acordo com um relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado em 11 de julho, o El Niño deve ter maior incidência no final deste ano. Isso reforça a necessidade de preparação contínua por parte dos setores energético, agrícola e de gestão de recursos hídricos.



