O governo da Rússia avalia estender o veto às exportações de diesel e gasolina, implementado em setembro de 2023, como medida para conter o aumento dos preços internos e garantir o abastecimento do mercado doméstico. A informação foi divulgada por fontes do setor energético citadas pela agência de notícias Reuters.
Contexto da proibição
A proibição temporária das exportações de combustíveis foi anunciada pelo governo russo em 21 de setembro de 2023, com duração inicial indefinida. A medida visava estabilizar os preços no mercado interno, que haviam subido significativamente devido à alta demanda sazonal e a manutenções em refinarias. Desde então, o veto tem sido renovado periodicamente, com exceções para alguns países da União Econômica Eurasiática.
Possível extensão do veto
De acordo com as fontes, o Kremlin estuda prorrogar a restrição por mais algumas semanas ou até meses, dependendo da evolução dos preços internos e do nível de estoques. A decisão final deve ser tomada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, após consultas com o Ministério da Energia e as principais empresas do setor, como Rosneft e Lukoil. "A situação do mercado interno ainda não está totalmente normalizada, e o governo quer evitar pressões inflacionárias adicionais", afirmou uma fonte próxima ao Ministério da Energia.
Impacto no mercado global
A extensão do veto russo pode impactar o mercado global de combustíveis, especialmente na Europa e na Ásia, que dependem das exportações russas. A Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de diesel, com embarques que chegaram a 1,2 milhão de barris por dia antes da guerra na Ucrânia. Com a proibição, os preços do diesel no mercado internacional subiram cerca de 15% desde setembro, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
Pressões internas
Internamente, o governo russo enfrenta pressão de setores agrícolas e de transportes, que dependem de combustíveis a preços acessíveis. A inflação anual na Rússia está em 5,5%, e o governo busca manter a estabilidade antes das eleições presidenciais de março de 2024. "Precisamos garantir que os preços dos combustíveis não disparem e prejudiquem a economia", declarou o vice-primeiro-ministro Alexander Novak em entrevista à televisão estatal.
Perspectivas
Analistas do setor acreditam que a extensão do veto é provável, mas que o governo pode flexibilizar as restrições para países aliados, como Bielorrússia e Cazaquistão, que já receberam exceções anteriormente. A decisão final deve ser anunciada nos próximos dias. Enquanto isso, as exportações russas de diesel caíram 30% em outubro em comparação com setembro, segundo dados da S&P Global Commodity Insights.



