A renovação das cotas de importação de carros eletrificados, decidida pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), pode não resultar em uma queda generalizada nos preços ao consumidor, conforme análise de especialistas. A medida beneficia montadoras que ainda estão estruturando fábricas no Brasil, permitindo a importação de veículos elétricos e híbridos sem a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No entanto, a tendência é de promoções pontuais e bônus, em vez de redução na tabela de preços.
Decisão da Camex e seus efeitos
A Camex aprovou a renovação das cotas de importação para carros eletrificados, que expirariam em julho de 2026. A medida permite que montadoras que ainda não possuem fábricas no Brasil importem um volume limitado de veículos elétricos e híbridos com isenção de IPI. A decisão beneficia marcas como BYD, GWM e outras que estão em processo de instalação de unidades produtivas no país.
De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as cotas são essenciais para garantir a oferta de carros eletrificados enquanto as fábricas não entram em operação. A entidade estima que o volume de importação permitido é suficiente para atender a demanda atual, mas não para gerar uma queda significativa nos preços.
Impacto limitado nos preços
Especialistas consultados apontam que a renovação das cotas não deve levar a uma redução generalizada nos preços dos carros eletrificados. “A isenção de IPI reduz o custo de importação, mas as montadoras tendem a usar esse benefício para manter margens ou oferecer promoções pontuais, em vez de repassar integralmente ao consumidor”, afirma João Paulo Ribeiro, analista do setor automotivo.
A ABVE corrobora essa visão: “A medida é importante para a continuidade dos investimentos no Brasil, mas o impacto no preço final será limitado. O consumidor pode esperar ofertas sazonais e bônus, mas não uma redução permanente na tabela.”
Contexto tributário e perspectivas
Atualmente, a carga tributária sobre veículos no Brasil varia entre 30% e 50% do preço final, dependendo da motorização e do estado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A renovação das cotas de importação para carros eletrificados visa estimular a transição energética, mas especialistas alertam que a indefinição sobre a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo, que entra em vigor em 2027, gera incertezas para o setor.
“A reforma tributária pode alterar significativamente a tributação dos veículos, e a falta de clareza sobre as novas alíquotas preocupa as montadoras”, afirma Carlos Eduardo Navarro, professor de Direito Tributário da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Em julho de 2026, ainda não temos definição sobre o imposto que começará em 1º de janeiro de 2027, o que é preocupante.”



