Aumento do etanol na gasolina para 32% é aprovado pelo CNPE
Etanol na gasolina sobe para 32% a partir de agosto

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida entra em vigor em 1º de agosto, após publicação no Diário Oficial da União, e terá validade de 180 dias, prorrogável uma vez pelo mesmo período. O governo já estuda elevar o percentual para 35%.

Impacto no preço e no consumo

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a mudança pode reduzir o preço do litro da gasolina em aproximadamente R$ 0,03. Executivos do setor estimam uma queda de até 2% na bomba. No entanto, especialistas alertam que o consumidor pode não sentir o benefício, pois o etanol tem menor densidade energética, aumentando o consumo do veículo para percorrer a mesma distância.

“Neste momento, o preço pode cair um pouco na bomba. Mas, com o aumento da mistura, o consumo do carro também aumenta. No fim do dia, o motorista pode não perceber uma queda relevante no gasto com combustível, porque vai consumir mais”, afirma Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE.

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Estratégia para reduzir importações

O Brasil importa cerca de 15% da gasolina que consome. Com o aumento da mistura, o consumo de etanol sobe e o de gasolina pura cai, reduzindo a dependência externa. Cálculos do Ministério de Minas e Energia indicam que a medida pode evitar a entrada de cerca de 450 milhões de litros de gasolina no país. Segundo Silveira, a ampliação pode levar o Brasil à autossuficiência no abastecimento de gasolina.

Reações do setor

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) afirma que a demanda por etanol anidro deve aumentar em 1 bilhão de litros por ano, ante os atuais 12,5 bilhões. O setor diz ter capacidade para atender à expansão, com crescimento previsto de 4 bilhões de litros nesta safra, impulsionado por novas usinas de etanol de milho e maior oferta de cana-de-açúcar.

Entretanto, entidades como Brasilcom, Abicom, Fecombustíveis e SindTRR manifestaram preocupação com a falta de conclusão de estudos técnicos. Em nota conjunta, alertam para potenciais impactos em veículos não flex, que representam cerca de 15% da frota, e em motocicletas, como alterações no desempenho e custos de manutenção.

Já a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) considera a aprovação um avanço para a política nacional de biocombustíveis, fortalecendo a segurança energética e criando previsibilidade para investimentos. A entidade destaca que a medida ocorre em momento de instabilidade no mercado de petróleo, reforçando a importância da produção nacional de biocombustíveis.

Próximos passos

O governo segue com estudos para elevar a mistura a 35% (E35), por meio do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro. Os ensaios focam na durabilidade de componentes e efeitos de longo prazo. O aumento para 32% foi subsidiado por testes que não indicaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive os não flex.

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