El Niño ameaça agravar crise do arroz no RS após enchentes
El Niño ameaça agravar crise do arroz no Rio Grande do Sul

O fenômeno climático El Niño ameaça aprofundar a crise dos produtores de arroz no Rio Grande do Sul, que ainda sofrem os efeitos das enchentes históricas de maio de 2024. O estado, responsável por 70% da produção nacional de arroz, enfrenta uma combinação de eventos climáticos extremos, custos elevados de fertilizantes e combustíveis, e preços estagnados.

Impacto do El Niño na produção

De acordo com meteorologistas, o El Niño deve trazer chuvas irregulares e temperaturas acima da média para a região Sul do Brasil nos próximos meses. Isso pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento das lavouras de arroz, que dependem de um regime hídrico estável. A previsão é de queda na produtividade, o que agravaria a situação financeira dos agricultores.

Recuperação lenta após enchentes

As enchentes de maio de 2024 causaram perdas significativas no setor. Muitas propriedades rurais foram inundadas, comprometendo a safra e danificando infraestrutura. Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), os prejuízos ainda estão sendo contabilizados, mas estima-se que milhares de hectares de arroz tenham sido perdidos. “Estamos em uma situação crítica. As enchentes destruíram parte do que plantamos e agora o El Niño pode inviabilizar a próxima safra”, afirmou o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

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Custos elevados e preços baixos

Além dos problemas climáticos, os produtores enfrentam custos elevados. A guerra no Irã elevou os preços dos fertilizantes e os custos com combustíveis, impactando diretamente o orçamento das propriedades. Enquanto isso, os preços do arroz no mercado interno permanecem estagnados, sem perspectiva de reajuste significativo. “O custo de produção subiu mais de 30% neste ano, mas o preço que recebemos pelo arroz não acompanhou”, disse o produtor João Carlos Silva, de Pelotas.

Redução de áreas de plantio

Diante das incertezas, muitos agricultores estão reduzindo as áreas destinadas ao plantio de arroz. Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicam que a área plantada na safra 2024/2025 deve ser a menor dos últimos cinco anos. A queda na oferta pode pressionar os preços no longo prazo, mas, no curto prazo, os produtores precisam de apoio para superar a crise.

Perspectivas e medidas de apoio

O governo estadual anunciou linhas de crédito emergenciais para os agricultores afetados, mas os produtores reivindicam medidas mais amplas, como renegociação de dívidas e subsídios para insumos. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também pede que o governo federal declare estado de calamidade no setor para liberar recursos extras.

Com a chegada do El Niño, a situação pode se complicar ainda mais. Os próximos meses serão decisivos para a safra de arroz no Rio Grande do Sul, e os produtores esperam que as previsões climáticas não se confirmem. “Estamos no limite. Se o clima não ajudar, muitos de nós não teremos condições de continuar”, alerta Silva.

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