Um novo estudo divulgado nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Energética (IPE) mostra que a descarbonização da economia global não pode depender de uma única tecnologia. Segundo o relatório, é essencial combinar fontes renováveis, energia nuclear e mecanismos de captura de carbono para alcançar as metas climáticas até 2050.
Estudo aponta necessidade de diversificação
O documento, intitulado “Caminhos para a Descarbonização”, analisa diferentes cenários de emissões e conclui que nenhuma solução isolada é capaz de reduzir as emissões de CO₂ na velocidade necessária. “Precisamos de um portfólio de tecnologias, cada uma contribuindo em setores específicos”, afirma a coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Silva.
O estudo destaca que as energias solar e eólica devem crescer rapidamente, mas enfrentam limitações de intermitência e armazenamento. A energia nuclear, por sua vez, oferece geração contínua, mas enfrenta desafios de custo e aceitação pública. Já a captura e armazenamento de carbono (CCS) é vista como crucial para setores de difícil eletrificação, como cimento e aço.
Investimentos necessários e prazos
Para atingir as metas do Acordo de Paris, o IPE estima que os investimentos globais em energia limpa precisam triplicar até 2030, alcançando US$ 4 trilhões por ano. “Sem uma ação coordenada, as emissões podem cair apenas 30% até 2050, muito aquém do necessário”, alerta Silva.
O relatório também aponta que países em desenvolvimento, como o Brasil, têm potencial para liderar a transição, desde que recebam financiamento adequado. “O Brasil pode ser protagonista, mas precisa de políticas estáveis e previsibilidade regulatória”, conclui a pesquisadora.
Reações do setor
O Ministério de Minas e Energia, em nota, afirmou que o governo já trabalha em um plano de descarbonização que combina diferentes fontes. “Estamos investindo em hidrogênio verde, eólica offshore e modernização da rede elétrica”, informou a pasta.
Já a Associação Brasileira de Energia Nuclear destacou que o país precisa considerar a expansão de usinas nucleares como parte da matriz limpa. “A energia nuclear é segura e pode complementar as renováveis”, disse o presidente da entidade, Carlos Eduardo Pereira.



