Combustível de aviação sobe 50% e empresas reduzem compras
Combustível de aviação sobe 50% e empresas reduzem compras

O preço do combustível de aviação subiu quase 50% em 2026, forçando companhias aéreas a reduzirem drasticamente suas compras, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O aumento impacta diretamente o setor aéreo, que já enfrenta margens apertadas.

Alta de quase 50% no querosene de aviação

De acordo com dados da ANP compilados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o querosene de aviação (QAV) acumula alta de 47,3% nos primeiros sete meses de 2026. Em julho, o litro do QAV atingiu R$ 6,82, ante R$ 4,63 no mesmo período de 2025. O levantamento considera os preços médios praticados nos principais aeroportos do país.

“O aumento expressivo no custo do combustível é o maior desafio do setor neste ano. As empresas estão reduzindo a oferta de voos e repensando rotas para tentar manter a operação viável”, afirmou o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovicz, em nota. O combustível representa cerca de 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea.

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Compras das empresas aéreas caem

Em resposta à alta, as empresas aéreas reduziram em 12% o volume de compras de QAV em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo a ANP. A queda é a maior desde o início da série histórica, em 2020. A redução reflete a diminuição de voos e a busca por maior eficiência no consumo.

Dados da ABEAR mostram que a oferta de assentos domésticos caiu 8% em julho ante o mesmo mês do ano anterior, enquanto a demanda recuou 6%. A taxa de ocupação das aeronaves, no entanto, subiu para 82,5%, indicando que as empresas estão concentrando voos em horários e rotas de maior procura.

Impacto nos preços das passagens

A alta do combustível já se reflete nos preços das passagens aéreas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço médio das passagens aéreas domésticas subiu 18,3% em julho na comparação anual. O índice de inflação ao consumidor (IPCA) do mês registrou alta de 0,45%, puxada principalmente pelos custos de transporte.

Economistas alertam que o repasse integral do aumento do combustível ainda não ocorreu. “As companhias aéreas estão absorvendo parte do choque, mas a tendência é de novas altas nas passagens nos próximos meses”, disse o economista da consultoria Tendências, Lucas Pires.

Perspectivas para o setor

A ABEAR projeta que, se o preço do QAV permanecer nos níveis atuais, o setor aéreo brasileiro pode registrar prejuízo operacional de R$ 12 bilhões em 2026, revertendo o lucro de R$ 3 bilhões obtido em 2025. A entidade cobra do governo medidas de desoneração tributária sobre o combustível, que responde por cerca de 30% do preço final do QAV no Brasil, entre impostos federais e estaduais.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) informou que monitora a situação e estuda flexibilizar regras de alocação de slots nos aeroportos para ajudar as empresas a ajustarem suas operações. O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, afirma que acompanha a evolução dos preços internacionais do petróleo, que influenciam diretamente o custo do QAV.

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