O preço do barril de petróleo do tipo Brent alcançou nesta terça-feira (14) o maior valor desde 12 de junho, chegando a quase US$ 87. Durante a tarde, houve um recuo, mas o dia fechou com o barril cotado a US$ 84, uma alta de 1,7%. O consumidor brasileiro já sente os efeitos da guerra no bolso na hora de abastecer o carro.
Retomada do conflito no Estreito de Ormuz eleva incertezas
A retomada do conflito no Estreito de Ormuz voltou a criar um cenário de incerteza no mercado internacional de petróleo. Quando isso ocorre, o preço do petróleo sobe, pressionando os combustíveis. Só em 2026, a gasolina já acumula alta de 5,7%, enquanto o diesel subiu 10,3%.
Produção nacional cresce, mas preços seguem internacionais
A produção brasileira de petróleo em maio foi quase 17% maior que no mesmo período de 2025. No entanto, mais petróleo não significa preços de combustíveis mais baixos. Os preços da gasolina e do diesel no Brasil são baseados no valor do produto no mercado internacional.
“Isso acontece não só nos combustíveis. Isso acontece com o café, acontece com a carne, acontece com o trigo. Ou seja, todos os produtos que, de alguma maneira, têm uma correlação com o mercado internacional, eles tendem, de alguma maneira, a acompanhar esse mercado. O ideal é você adaptar o seu consumo. Por exemplo, se o diesel sobe muito, a gente tem que pensar em meios de substituir o diesel”, afirma David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP.
Dependência de importação e dilema fiscal
O Brasil importa cerca de 25% do óleo diesel consumido no país. No início da guerra, o governo concedeu subsídios a produtores e importadores de combustíveis para evitar a disparada nos preços. “O dilema do governo é: ou deixar os preços na bomba subirem ou aumentar os subsídios e prolongar o tempo desses subsídios. Essa é a escolha que o governo vai ter que fazer. E é uma escolha difícil porque, mais uma vez, tem implicações fiscais muito elevadas. A questão de ter produção doméstica é estratégica do ponto de vista de garantia de suprimento. Mas ela não resolve, por si só, o problema dos preços”, diz Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio.



