O Brasil gera 86,8% da sua energia elétrica a partir de fontes renováveis, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), mas ainda desperdiça oportunidades. A análise é de Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace Energia, que representa mais de 50 grandes grupos industriais responsáveis por cerca de 50% do consumo de eletricidade da indústria brasileira.
Protagonismo perdido
Para Pedrosa, o país perdeu o protagonismo na política energética devido à influência de decisões políticas no Congresso e no Executivo. Ele critica os subsídios aos painéis solares: “Tivemos uma explosão de painéis, que se espalharam de forma desordenada. A tecnologia se apresenta como limpa e barata, mas está sujando e encarecendo a energia.”
Transição energética verdadeira
Pedrosa defende uma transição focada no consumo, não na oferta. “A transição energética tem de olhar o consumo. A inovação está no padrão do consumo”, afirma. Ele cita exemplos como o uso de máquinas de lavar no horário de pico solar e agregadores de carga que gerenciam o consumo de vários consumidores.
Subsídios e custos
A Abrace calcula que os consumidores pagaram mais de R$ 100 bilhões em ineficiências e subsídios. “Na conta de energia tem muita coisa que as pessoas não observam. Subsidiamos a energia renovável, a nuclear e outras políticas públicas que deveriam estar no orçamento da União”, explica.
Abertura de mercado
Pedrosa defende a abertura do mercado de energia com preços corretos, para que o consumidor tenha sinais de preço inteligentes. “A abertura de mercado, associada a preços corretos, vai fazer um sistema melhor para todo mundo.”
O executivo participa do Energy Summit Global, evento de inovação e empreendedorismo em energia e sustentabilidade, que ocorre entre 23 e 25 de junho no Rio de Janeiro, com parceria do Estadão.



