O Banco Central do Japão (BoJ) elevou seu nível de alerta contra riscos de inflação que possam levar a aumentos mais rápidos das taxas de juros, disseram fontes familiarizadas com o pensamento da instituição. A postura mais cautelosa reflete a preocupação de que pressões inflacionárias persistentes, impulsionadas por salários mais altos e custos de importação, possam exigir uma resposta monetária mais agressiva.
Alerta máximo contra pressões inflacionárias
De acordo com as fontes, o BoJ agora considera que os riscos de alta para a inflação estão mais equilibrados do que antes, quando o foco principal era evitar a deflação. A autoridade monetária japonesa monitora de perto indicadores como o índice de preços ao consumidor (CPI), que tem mostrado sinais de aceleração, e o crescimento dos salários, que atingiu o maior patamar em décadas.
“O banco central está em alerta máximo contra qualquer sinal de que a inflação possa se tornar mais persistente do que o esperado”, afirmou uma das fontes, que pediu anonimato por não estar autorizada a falar publicamente. “Se os riscos se materializarem, o BoJ não hesitará em ajustar a política monetária, inclusive com elevações mais rápidas dos juros.”
Possível aceleração na alta de juros
Atualmente, a taxa básica de juros do Japão está em 0,5%, após o BoJ ter elevado os juros pela primeira vez em 17 anos em março de 2024. O mercado já precifica uma nova alta para 0,75% ainda este ano, mas as fontes indicam que o ritmo pode ser acelerado caso a inflação não arrefeça conforme o projetado.
O BoJ divulgou em sua última reunião de política monetária que a inflação core (excluindo alimentos frescos) deve ficar em torno de 2,5% neste ano fiscal, acima da meta de 2%. A autoridade, no entanto, tem sido cautelosa para não prejudicar a recuperação econômica com aperto excessivo.
“O cenário base ainda é de uma normalização gradual, mas a porta está aberta para ações mais firmes se necessário”, disse outra fonte. “O foco agora é garantir que a inflação não saia do controle.”
Impacto na economia global
A mudança de postura do BoJ tem implicações para os mercados globais, especialmente porque o Japão é um dos maiores detentores de títulos do Tesouro dos EUA e sua política monetária influencia o fluxo de capitais. Uma alta mais rápida dos juros japoneses poderia fortalecer o iene e reduzir a atratividade de carry trades, afetando moedas de mercados emergentes.
Analistas do Goldman Sachs apontaram que um BoJ mais hawkish pode levar a uma realocação de portfólios globais, com investidores reduzindo exposição a ativos de risco. “O mercado precisa levar a sério a possibilidade de juros mais altos no Japão”, escreveram em nota.
O próximo encontro do BoJ está marcado para setembro, quando serão divulgadas novas projeções econômicas. Até lá, a autoridade continuará monitorando dados de inflação e salários para calibrar sua resposta.



