WEG salta 7,4% com lucro do 2T26 acima do esperado; margem surpreende
WEG salta 7,4% com lucro do 2T26 acima do esperado

As ações da WEG (WEGE3) disparavam 7,44% nesta quarta-feira (22), cotadas a R$ 45,63, após a divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026 que superaram as expectativas do mercado. O lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, apesar de uma leve queda de 2,1% na comparação anual, ficou 4% acima do consenso e 6% superior às estimativas do Bradesco BBI.

Margem EBITDA surpreende e alivia preocupações

A rentabilidade foi o principal destaque do balanço. A margem EBITDA atingiu 21,8%, recuo de apenas 0,3 ponto percentual em relação ao ano anterior, mas acima das projeções do Bradesco BBI e do consenso de mercado. Para os analistas do banco, o resultado ajuda a dissipar as preocupações que surgiram após a performance mais fraca das margens no primeiro trimestre. "O retorno a níveis mais normalizados de margem deve aliviar a maior parte das preocupações dos investidores sobre a rentabilidade", afirmaram.

O Goldman Sachs também avaliou positivamente o desempenho. O banco destacou que o EBITDA de R$ 2,21 bilhões ficou 11% acima de suas projeções e 4% acima do consenso, enquanto o lucro líquido superou em 3% as expectativas compiladas pela Bloomberg.

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Mercado doméstico mostra recuperação

As operações brasileiras, que vinham pressionando o crescimento da companhia nos últimos trimestres, apresentaram sinais de recuperação. As receitas do mercado doméstico recuaram 4,9% na comparação anual, uma queda bem menor que os quase 20% observados no primeiro trimestre. O destaque ficou para a divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI), cujas vendas no Brasil avançaram 16,5%, impulsionadas pela demanda por produtos de ciclo curto e equipamentos de ciclo longo, especialmente para o setor de papel e celulose.

Segundo o Bradesco BBI, a retomada da atividade industrial brasileira foi determinante para essa melhora e ajudou a compensar a ausência de entregas relevantes de projetos de geração solar centralizada, que continua afetando a divisão de geração, transmissão e distribuição (GTD).

Operações internacionais seguem robustas

No exterior, os resultados continuaram fortes. O crescimento orgânico das receitas internacionais atingiu 11,8% em bases neutras de câmbio, com destaque para América do Norte e Europa. Em dólares, as vendas avançaram 20% na América do Norte e 16,3% na Europa. A demanda por transformadores, projetos de transmissão de energia e soluções de geração de energia para data centers foi apontada como um dos principais vetores de crescimento.

Margens resistem apesar de pressão de custos

A rentabilidade da WEG chamou atenção por vir acima das expectativas mesmo em um cenário de custos mais elevados. O Bradesco BBI destaca que a empresa continua enfrentando custos mais altos de matérias-primas, especialmente cobre, além das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e do aumento das despesas com pessoal decorrente da expansão de capacidade produtiva. Ainda assim, ganhos de eficiência operacional ajudaram a compensar parte desses impactos.

O Goldman Sachs observou que, embora a margem tenha sido beneficiada por uma normalização de despesas operacionais após efeitos não recorrentes no primeiro trimestre, o desempenho ficou melhor do que o esperado.

Perspectivas e valuation exigente

Após os números, o Bradesco BBI avalia que há espaço para revisões positivas das estimativas de receita e lucro para os próximos trimestres. A instituição destaca que a companhia passará a enfrentar bases de comparação mais favoráveis no segundo semestre, principalmente após o impacto negativo das entregas de projetos solares observado ao longo do último ano. O banco também vê sinais encorajadores de aceleração das receitas domésticas e manutenção da forte demanda internacional.

Apesar da avaliação positiva sobre o trimestre, o Bradesco BBI manteve recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 48. Os analistas argumentam que a companhia continua entregando forte crescimento operacional, mas lembram que os múltiplos permanecem elevados. Segundo o banco, a WEG negocia atualmente a cerca de 29 vezes o lucro estimado para 2026 e 25 vezes o projetado para 2027.

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O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação de venda para o papel e preço-alvo de R$ 37,30. A instituição argumenta que, apesar da surpresa positiva no trimestre, ainda vê desafios para o crescimento das receitas diante da valorização do real, além de considerar a ação negociada em patamares exigentes de valuation.