O esquema de manipulação de notas no aplicativo do Banco Master, controlado pela holding Vorcaro, foi revelado por um ex-funcionário que trabalhou diretamente com a equipe de marketing digital da instituição. Segundo o relato, a prática consistia em pagar pessoas para baixar o app e deixar avaliações positivas na loja do Google, o Google Play, inflando artificialmente a nota do aplicativo.
Fraude sistemática e de longo prazo
O ex-empregado, que pediu anonimato por medo de represálias, afirmou que a manipulação era feita de forma sistemática e contínua, abrangendo pelo menos os últimos três anos. Ele estima que mais de 10 mil avaliações falsas foram publicadas nesse período, o que teria contribuído para que o aplicativo do Master mantivesse uma média de 4,8 estrelas, uma das mais altas entre bancos digitais no Brasil.
“A ordem vinha de cima. O próprio departamento de marketing coordenava a contratação de freelancers em plataformas como a Workana e o próprio Facebook, pagando entre R$ 5 e R$ 10 por avaliação. Eles exigiam que o texto parecesse genuíno, com elogios específicos ao atendimento e à facilidade de uso”, detalhou o ex-funcionário.
Reação do Banco Master
Procurado, o Banco Master negou qualquer irregularidade. Em nota, a instituição afirmou que “segue rigorosamente as políticas de compliance e boas práticas de mercado, e que todas as avaliações são espontâneas”. A Vorcaro, holding controladora, não se manifestou até o fechamento desta edição.
Especialistas em direito digital ouvidos pelo blog apontam que a prática configura concorrência desleal e pode violar o Código de Defesa do Consumidor, além de infringir os termos de uso do Google Play. A plataforma do Google proíbe expressamente a manipulação de avaliações e pode remover o aplicativo da loja caso comprove a fraude.
Impacto para os consumidores
A nota fraudada engana consumidores que buscam referências antes de abrir uma conta. “O cliente acredita que está escolhendo um banco bem avaliado por milhares de usuários reais, quando na verdade está sendo induzido por uma estratégia artificial”, alerta o advogado especialista em direito do consumidor Carlos Mendes.
O caso levanta novamente o debate sobre a confiabilidade das avaliações em lojas de aplicativos. Em 2023, o Google removeu mais de 200 mil avaliações fraudulentas de apps bancários brasileiros, mas a fiscalização ainda é considerada insuficiente por associações de defesa do consumidor.



