O Ibovespa fechou em queda de 1,2% nesta quarta-feira, aos 125.800 pontos, pressionado pelas ações da Vale e da Petrobras, que recuaram com a desvalorização do minério de ferro e do petróleo no mercado internacional. O dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,20.
Queda das commodities derruba ações
As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 2,5%, para R$ 68,40, acompanhando a queda do minério de ferro na China, que recuou 3,2% com preocupações sobre a demanda do setor siderúrgico. Já os papéis da Petrobras (PETR4) recuaram 1,8%, a R$ 36,20, com o petróleo tipo Brent em baixa de 1,5%, a US$ 82 o barril, devido a sinais de aumento da oferta global.
Impacto no mercado financeiro
Segundo analistas do Banco XP, a correção das commodities era esperada após altas recentes, mas o movimento foi amplificado por realização de lucros. "O mercado está ajustando posições diante de incertezas sobre a economia chinesa e a política de produção da Opep+", afirmou em nota. O setor siderúrgico também sofreu: Gerdau (GGBR4) caiu 1,2% e Usiminas (USIM5) perdeu 0,9%.
O índice de referência da B3 foi influenciado ainda pelo desempenho negativo de grandes bancos. Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,7% e Bradesco (BBDC4) caiu 0,5%, sem notícias específicas que justificassem o movimento.
Dólar sobe com aversão ao risco
No mercado de câmbio, o dólar avançou ante o real, refletindo a busca por proteção em meio à queda das commodities e ao cenário externo adverso. O movimento foi generalizado, com moedas de países emergentes perdendo valor. "O real acompanhou o mau humor global, mas a alta foi moderada devido ao fluxo de investimentos estrangeiros na B3", explicou o economista-chefe do banco ABC Brasil.
No exterior, as bolsas americanas operaram mistas: Dow Jones subiu 0,2%, S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq recuou 0,3%, com investidores aguardando dados de inflação nos EUA.
Perspectivas para os próximos dias
Especialistas apontam que o Ibovespa pode continuar volátil, dependendo dos preços das commodities e de sinais sobre a política monetária americana. "O mercado está atento ao discurso do Federal Reserve e aos indicadores econômicos da China", destacou a corretora Guide. Para a Vale, a expectativa é de que a demanda chinesa por aço continue fraca no curto prazo, enquanto a Petrobras pode se beneficiar de eventuais cortes na produção da Opep+.



