Saneamento privado chega a metade das cidades do país
Saneamento privado alcança metade dos municípios

O saneamento básico privado já está presente em mais da metade das cidades brasileiras. Dados inéditos do Ranking do Saneamento 2026, divulgados pelo Instituto Trata Brasil, mostram que 50,3% dos municípios do país contam com serviços de água e esgoto operados por empresas privadas ou por parcerias público-privadas (PPPs). Esse percentual representa 1.210 cidades, que concentram 42% da população nacional, cerca de 88 milhões de pessoas.

Crescimento acelerado nos últimos anos

O avanço do setor privado no saneamento é recente e acelerado. Em 2019, apenas 35% dos municípios tinham participação privada. O salto para 50,3% reflete a aprovação do Marco Legal do Saneamento, em 2020, que estimulou concessões e PPPs. De acordo com o presidente executivo do Trata Brasil, Luiz Plínio, "o marco legal foi fundamental para destravar investimentos e atrair capital privado para um setor historicamente carente de recursos".

As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte das concessões privadas. São Paulo lidera, com 68% dos municípios atendidos por operadoras privadas, seguido por Minas Gerais (54%) e Rio de Janeiro (47%). No Nordeste, a participação privada ainda é baixa, com apenas 22% das cidades, mas com crescimento expressivo em estados como Alagoas e Pernambuco.

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Impacto na universalização dos serviços

A expansão privada tem contribuído para a melhoria dos indicadores de saneamento. O ranking aponta que as cidades com concessões privadas atingem, em média, 89% de cobertura de abastecimento de água e 72% de coleta de esgoto, contra 84% e 61%, respectivamente, nos municípios com gestão pública. O índice de tratamento de esgoto também é superior: 78% contra 65%.

No entanto, especialistas alertam para desafios. "A universalização até 2033, meta do marco legal, exige investimentos de R$ 700 bilhões. A participação privada é essencial, mas precisa ser acompanhada de regulação eficiente e fiscalização", afirma o diretor de regulação da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES), José Carlos de Souza.

Ranking do Saneamento 2026

O ranking também avaliou o desempenho das 100 maiores cidades brasileiras. A cidade de São Paulo ocupa a primeira posição geral, com nota 9,2, impulsionada pelos investimentos da Sabesp. Já a pior colocada é Marabá (PA), com nota 1,8. Entre os municípios com operação privada, a melhor nota é de Niterói (RJ), com 8,9, operada pela Águas de Niterói.

O estudo do Trata Brasil considera indicadores como cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto, eficiência na distribuição e investimentos per capita. A edição de 2026 incluiu, pela primeira vez, dados de perdas de água: a média nacional é de 38%, mas nas cidades com gestão privada cai para 32%.

Perspectivas para os próximos anos

Com a meta de universalização do saneamento até 2033, a tendência é de que a participação privada continue crescendo. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, há 42 leilões de concessão previstos para 2027, que devem atrair investimentos de R$ 30 bilhões. A expectativa é que, até 2030, 70% dos municípios brasileiros tenham saneamento privado.

O setor, no entanto, enfrenta críticas em relação ao reajuste de tarifas. Em algumas cidades, os aumentos chegaram a 15% acima da inflação. "O equilíbrio entre tarifas justas e investimentos é o grande desafio", conclui Luiz Plínio.

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